quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
SINCRONISMO ENTRE DEPTOS - OLHA A LOUCURA!
Desde o dia 4/11/2009 não posto! Isto aconteceu porque tive que trabalhar loucamente estes dias, sem folgas. Foram 47 dias de trabalho, com média de 12hs trabalhadas por dia, totalizando 564hs, o que equilave, para a nossa empresa, como se eu tivesse trabalhado em torno de 64 dias! Estou 9kg mais magro e minha mulher ficou bastante contente, neste aspecto! :D
Todo final de ano é correria nas indústrias, pelo aumento da demanda gerado pelo tal 13° salário e as festas de fim de ano. Até ai tudo normal, porém eu fiz uma "besteira", ai tive que trabalhar mais ainda
A tal besteira foi simples: eu reduzi os custos dos produtos. E, consequentemente, Vendas diminui o preço dos mesmos e, consequentemente, o mercado veio a nós como lobos famintos! E a redução de custos foi basicamente no aumento da produção sem mexer muito com os custos praticados, obviamente.
Eu, junto com a turma, naquela semana que parei de postar, fomos à "caixinha de sugestões" que tinha na empresa e ninguem utilizava. Para cada sugestão dada por um funcionário caso fosse aceita, o mesmo ganhava uma cesta básica imensa - ponto positivo para o RH. Mas do que adianta fazer isso se ninguém utilizava?! - ponto negativo para o RH. Então eu e meus colegas começamos a fazer uma triagem das sugestões que envolviam as linhas de produção, almoxarifado e logística.
Dentre as sugestões, o Ciclano, da manutenção, sugeriu uma alteração de fornecedor das peças de umas máquinas que rodam 24hs nesta época do ano - mesmo assim, ela ainda é gargalo - e que quebram com frequência, pois as máquinas são antigas e a solução é comprar outras mais modernas, fato que a diretoria ainda não quis fazer. A tal peça quebra sempre de uma ora pra outra e a sua reposição exige pelo menos 4horas para manutenção - esperar vir a assistência técnica, esfriar a máquina, colocar a peça, fazer os testes, novo setup... Quando a máquina começa a operar, ela ainda gasta outra peça, pois por ser velha, o eixo de encaixe da peça está alguns graus abaixo do correto e só Deus sabe como ela ainda funciona. O Ciclano ouviu dizer que havia outro fornecedor no mercado com uma peça 100% mais cara, porém nunca o pessoal comprou porque não passava pelo crivo do Diretor, na hora do pedido.
Chamei o Ciclano, falamos com o fornecedor. A peça nova é ligeiramente maior, mais fácil de encaixar e ela tem uma durabilidade maior que a outra, não precisando fazer paradas preventivas na máquina. Falei com o diretor e ele aprovou. Aumentou-se os custos de manutenção em quase 5mil reais, mas, meus amigos, a máquina não só parou de "parar" - heheheh - como também aumentou a produtividade do gargalo em 30%!
Tudo bem, outro gargalo se formara na linha de produção mesmo. E, em resumo, fiz uma mudança de layout, reprogramei com o PCP, mantive o mesmo pessoal da casa e terceirizado - para a demanda de fim de ano - e não deu outra: 30% de produtos a mais no final do processo. Quando Vendas olhou praquele estoque, o Gerente de Vendas quase chorou de emoção - hheheheh - baixou o preço e o mercado veio como num passe de mágica! Ficamos, em média, com os produtos 15% mais barato que todo o mercado, pedidos do nordeste inteiro, da região norte, centro-oeste, começaram a vir. E aí começou o sufoco!
Não partiu de mim a redução do preço até porque eu sei que a expedição e transportes poderia se tornar um gargalo, pois precisariamos de mais frete e esse ano é muito difícil isto. Não deu outra, a produção a pino e a logística toda desgraçada! Caminhões quebravam em Belém, São Luis, Teresina, conteineres não eram entregues no prazo, aquela zorra. O pessoal da expedição nunca tinha visto, e eles me falaram isso, na vida deles uma correria sem fim. Eu dormia com celular do lado e sempre tinha bronca pra resolver. Acordei na madrugada várias vezes falando com Posto fiscal, principalmente na regiião Norte e Centro Oeste, com nossa mercadoria parada, querendo algum "toco", "agrado", "o do café". Até PRF parava a gente, até porque a nossa carga ainda não era tão conhecida por aquelas bandas. Mas como tudo estava correto eles passavam. Muito caminhão quebrado - pois recorremos àqueles caminhões que esta época do ano são preteridos pelos grandes, pois são antigos - e nisso, muitas vezes outro frete nosso estava por perto e ajudava, ou fazia frete entre o ponto de parada do caminhão e o destino.
Estes são so alguns problemas que relato, outros mais tiveram. O ritmo foi frenético, até eu manobrei empilhadeiras - hehehehe! O próprio Diretor foi pra vendas pra coordenar os excessos de pedidos e aqueles que não poderia atender. Ele trouxe uns rádios para a gente se comunicar diretamente porque eu andava a fábrica, a expedição, financeiro com o notebook e ele estava se comunicando comigo de hora em hora, pra saber se já tinhamos atingindo a programação semanal, se batia vendas x produção. Não era incomum ver a expedição sem nenhum produto em certos dias.
Ontem foi a reunião com todos os gerentes para divulgação das metas. A reunião foi exatamente as 21hs da noite. O Faturamento projetado nos meses de outubro, novembro e dezembro, aumentou em quase 50% os custos de produto aumentaram 4,5%. A lucratividade teve um incremento de 22%. O diretor estava tão feliz de um jeito que não sabia nem o que falar para todo mundo. Foi uma salva de palmas para todos, abraços calorosos o pessoal de vendas chorando - claro, quanto eles não ganharam de comissão extra. Foi aquela coisa.
Depois, ele me chamou no canto. Agradeceu-me demais e perguntou o que eu queria. Eu passei pra ele a lista das pessoas que mudaram pra valer a produção - incluindo o Ciclano - e outros 4. Pedi que chamassem eles, discretamente, desse os parabéns, um "agrado" por fora e, no momento propício, promoção. Ele aceitou tudo e prometeu de fazer isso hoje ainda. E para mim eu pedi recesso, porque não aguentava mais nem escutar a voz dele! Ele riu bastante, me deu o recesso e um cheque, por fora claro - nunca havia acontecido comigo - para que pudesse sair de "férias" e me presenteou com um belo Uísque Blue Label. Tomei metade ontem, morrendo de pena, mas tomei!
E hoje, à noite, viajo para o RJ, volto só dia 6/1/2010. Até lá sem posts, muita diversão e principalmente, muito alcoooooooooooooooooooool! HeheHEHE!
Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
RH - A eterna contradição: há vagas, faltam perfis.
Demorei muito porque, como dissera, a fábrica anda pegando fogo. Quase 10 dias depois, eu volto a postar!
No post anterior - Concurso Público x Mercado... - eu falei sobre a vaga de analista que ficaria ociosa por falta de gente qualificada para assumir, visto que o perfil pretendido, as responsabilidades e o salário proposto não se encaixavam a ninguém. Pois bem, nestes 10 dias o RH entrevistou 15 candidatos e não conseguiu me retornar qualquer coisa. Segue-se o diálogo:
Eu: Meu bem, eu preciso desta pessoa com urgência! Modifique o perfil, o que seja...
Ger.RH: Queridinho, não se muda os padrões do jeito que você deseja, não! O perfil de Analista foi proposto quando...
Eu: Olha, mude este perfil! Se Analista está ruim no mercado, procure Coordenador de Logística e dobre o salário que você acha...
Ger.RH: Ahhhh, mas assim não pode. Aumentar MOD do teu setor, sem mais nem menos....
EU: Putz...
A empresa tem, atualmente, 5 cargos vagos, nas áreas de qualidade, produção e manutenção. Isto já vem antes de eu entrar! Tudo isto se deve ao tal perfil que o RH tenta padronizar - melhora muito a gestão de pessoas, mas por ser inflexível gera estes problemas. Eu, tentando ajudar RH, indiquei umas 10 pessoas para as vagas de Produção e Qualidade e nenhum foi aceito. Sempre batia no perfil, principais problemas que eu vejo:
1. A pessoa não tem a graduação e/ou pós-graduação exigida para o cargo;
2. Não tem experiência específica na função e/ou na área;
3. O salário pretendido é maior do que o proposto;
4. Não tem o perfil comportamental proposto pelo RH; e
5. Não trabalhou em empresas do mesmo porte.
Eu puderia detalhar os pontos, mas não vou fazer. O que importa é a falta de lógica nos certames, principalmente quando a pessoa não entra pelos motivos 1 e 2. Eu falei para o RH que não admitiria mais motivos 1 e 2 por eu não ter candidatos para entrevistar. Por exemplo, o sujeito é comprador a 10 anos, tem graduação e não poder ser entrevistado para Supervisor de Logística que exige experiência na área e Pós?! Isto é um absurdo! Isto acontece quase todo dia, alias!
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Concurso Publico x Mercado 2 - E as coisas piorando...
No dia 7/7/9 eu fiz este post: http://gestaoeacao.blogspot.com/2009/07/concurso-publico-x-mercado.html
No final, eu colocava a seguinte coisa:
"O que me preocupa, e me faz trazer o assunto, é a perda de talentos pelo mercado. Dos meus 14 amigos íntimos e profissionais, todos estavam no mercado. Apenas eu e mais 7 continuamos na iniciativa privada. E dos 7, 4 estudam para concurso público e 1 espera nomeação. Todos talentosos e competentes nas suas áreas. Imaginem esta estatística expandida para todo país, guardada as devidas proporções?!
É um alerta para o mercado. "
Então aconteceu comigo nesta nova fábrica de perder 3 profissionais nestes 10 dias para os concursos públicos. Um, foi nomeado, os outros dois, pegaram seu FGTS, recisão e seguro desemprego e vão estudar pro BACEN. Se fossem dos tipos nocivos que citei aqui no blog, eu não estaria preocupado. Mas, de longe, eram os 3 melhores profissionais do meu setor. E digo mais: são os melhores de toda a fábrica, da diretoria até auxiliar de zeladoria!
Quando o 1° saiu, eu consegui suprir a saída deste a duras penas enquanto o RH, em caráter de urgência, procurava no mercado. Daí eu mal tinha tempo para almoçar, pois este cara era Supervisor de Logística - Almoxarifado e a movimentação na fábrica, principalmente pela chegada do FDA, estava intensa. Mas no sacrifício fui levando, controlando todos os dados, respondendo pelos embarques e etc. 4 dias depois sai outro: Supervisor de Produção - encarregado das linhas. Tirei um Operador mais experiente da linha para controlar, enquanto eu dava algum suporte, juntamente com o Chefe de Produção. Fechando os 10 dias, sai o meu braço direito: Analista de Logística - encarregado das melhorias de linha, controle de qualidade, CEP e etc. Ai eu pedi penico!
Depois da saída deste último, cheguei azul de preocupação no RH. . Dei o telefone de 3 pessoas com quem já trabalhei que poderiam substituir, no mesmo nível. Tive reuniões calorosas com a Diretoria que, por estar longe do chão de fábrica, achava que não precisava de urgência, que dava para tocar sem eles. O RH, da mesma forma, pediu paciência pois já tinha começado processo seletivo para substituição do 1° que saiu.
E como eles se convenceram?!?! Da pior maneira possível...
Na semana passada houve o seguinte desastre: 3 linhas de produção pararam por cerca de 4 horas - sem o Supervisor, a Manutenção se desorientou e não fez os reparos programados e preventivos e 10 caminhões estavam parados, há mais de 2 dias, esperando pelo Almoxarifado e Produção liberar material. Quando ficou desta forma, a Diretoria entrou em pânico! Eu chamei a Gerente de RH e mostrei o desastre. O Diretor, depois da merda acontecer, pediu para eu chamar o pessoal que eu tinha no mesmo dia. Claro que não dava, todos empregados, bem empregados. A GER.RH ligou la do chão de fabrica para os números que eu dera e começou as negociações. Os três são profissionais e colegas meu de fé.
Eu precisava com mais urgência do Supervisor de Produção. O Zé pediu o dobro do salário que ele ganhava na fábrica que eu trabalhei antes desta. O RH rejeitou. Ligaram para mais 2, no mesmo perfil, que o pessoal da Qualidade e Manutenção indicou e ambos não quiseram. O RH retornou e fechou com o Zé. Ele saiu, oficialmente da fábrica, hoje, mas estava trabalhando no sábado e domingo comigo.
Para o Almoxarifado liguei para aquela pessoa que ajudei, salientado em tópicos passados (http://gestaoeacao.blogspot.com/2009/07/rh-claro-que-ia-acontecer-comigo-tambem.html). Pediu 70% a mais do que ganhava. RH, de praxe, rejeitou. Foram atrás de outros, nada feito. Retornou e fechou com Fulano que vai sair oficialmente amanhã da empresa, mas já trabalhou comigo no sábado e domingo. E o Analista?! Este realmente vai demorar, porque é muito difícil encontrar alguém do mesmo porte que esteja afim de ganhar o que a empresa quer. Para terem idéia, ligaram para um ex-colaborador da empresa, que já havia trabalhado na mesma função, mas hoje o cara é Coordenador de Produção e não viria por menos do triplo que ganhava o Analista antigo.
Como eu entrei agora, praticamente, nesta empresa, não teria como eu diminuir os impactos destas saídas. A nossa gestão deixa muitas coisas na mão das pessoas, sem procedimentos, ou sem pessoas que possam substituir de imediato, matendo o mesmo ritmo. Isto eu comecei a mudar, mas vai demorar mais uns 6 meses pra obter resultados.
O que estou tentando fazer é ilustrar como o Serviço Publico anda tomando certas pessoas competentes e talentosas da iniciativa privada. E estas coisas tem acontecido de tal maneira que estes problemas tendem a ser cada vez mais rotineiros no mercado, pois os empregados que passaram em concursos não querem nem ouvir uma contra-proposta por parte da empresa. Saem de forma súbita. E o que estou antevendo é o aumento gradativo dos salários de certos cargos para que as pessoas não saiam e isto aconteceu agora. O mercado deve repensar isto.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
E os estagiários?!
No post de terça feira passada
(http://gestaoeacao.blogspot.com/2009/10/estagiarios-funcao-remunerada-e-nao.html ) eu falei da situação dos estagiários daqui, que estão executando funções de efetivos, com responsabilidades de efetivos mas com carteira de estagiário. RH me passou ontem uma posição, objetivamente me deram carta branca pra fazer o que quisesse - isto aqui é ordem, provavelmente, da diretoria.
Então ontem mesmo, depois do expediente, reuni-me com os meninos e o pessoal de chefia. Falei para eles o que eu penso a cerca de estágios. Disse que as funções desempenhadas pelos 4 são de efetivos e não seria justo para eles assumirem tais responsabilidades, visto que a empresa os trata na condição de aprendizes. O RH faz o acompanhamento dos meninos, querendo saber se eles estão gostando e tra la la. Nós tb avaliamos periodicamente, dando notas. Os meninos são bons, inteligentes e comprometidos. Mas o ponto principal deste problema é a injustiça de como tratá-los. Expliquei tudo isso a eles.
Decidi ali que no próximo mês iriamos fazer uma redução gradativa e que eles se sentissem a vontade de ir atrás de empregos ou novos estágios. Exceto um, que eu já escolhi para efetivar. Este já se forma no final do ano, faz cadeiras somente a noite e me disse que sua monografia já está em fase de conclusão. Também, pelo que avaliei neste período, é o melhor dentre os demais e, aparentemente, tem perfil para assumir chefia ou outro cargo importante daqui a 1 ou 2 anos. Também trarei uma Assistente de Logística, para trabalhar com cadastro, inserção de dados e coleta de informações na linha de produção.
Esta nova função, que chamei de Analista Logístico, vai englobar a maioria das funções dos demais, trabalhando num período fechado de 40hs, focado em projetos de melhoria, fluxo de informações e materiais, coleta e interpretação de dados de nível de serviço e outras coisas. Apesar de aumentar os custos fixos em relacao a quando era estagiários, pois o garoto, contando salario, impostos, ps, po, vt, cesta, pnl, no longo prazo isto se torna pagável. Por que? Respondo através dos erros comum de estagiários na linha de produção.
1. Erro no sequenciamento da produção. Tem idiotas que colocam estagiário pra fazer isso e sempre "dá buxo", porque o carinha anda preocupado com faculdade e trabalho, tendendo a esquecer algo aqui e ali. Isto causa parada não programada de máquinas ou linhas, logo: menos produtos acabados, maior impacto dos custos fixos no PF e, em certos casos, perda de vendas e clientes.
2. Conferência de expedição. Eu já vi, não nesta empresa, caminhão voltar do meio do caminho por troca de NF´s, falta de conhecimento de embarque. Cara, isto é coisa extremamente importante, como colocar para um estagiário?!
3. Organizar Área de Produto Acabado. É o fim, até porque isto é pra ser feito pela Chefia de Expedição, para diminuir os tempos de carrego dos caminhões.
E etc....
Estes erros quando somados geram custos indevidos importantes na análise da gestão produtiva. Assim, esta minha tomada de decisão visa diminuir isto e, pela minha experiência, sempre dá certo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Ações intempestivas - Não faça isso
Mais uma vez postando pelo vício! HehehehE!
Um post curto.
O Ger. de Manutenção desta nossa empresa é tapado. Não sabe as técnicas de manutenção preventiva ou preditiva. Não faz nenhum tipo de tabulação dos principais defeitos, dando causas e efeitos. É um grande problema.
Uma linha da fábrica parou ontem porque o Ger.Man simplesmente não fez estoque de rolamento de uma máquina, que é o 1o elo da cadeia. E colocou a culpa no setor de Compras e Almoxarifado, que deveria controlar isto.
Chamei-o para o canto. E trocamos gentilezas...
Eu: A culpa é sua, pare de colocar a culpa nos outros!
Ger.Man.: Tu chegou agora e já quer cantar de galo...
Eu: Cantar de Galo?! Que linguajar é esse peão?! Culpa é sua e eu quero a máquina rodando hoje ainda!
Ger. Man.: Vai te lascar!
(HAEhaehaEHEhAHEhaehAHE, eu quis rir na hora!)
Eu: Infelizmente, aqui não tem Gerência. Acho que vou ter que assumir seu papel tb...
Ele ficou com ódio. Resolvi o problema do meu jeito. Nosso diretor chamou a gente pra conversar e para fazermos as pazes. Chamou-me atenção e a ele também. Mas eu saí por cima:
Eu: Doutor Fulano, só para constar: esta parada na linha por causa de um rolamento, custou a empresa mais de 15 mil reais. Precisamos de PCM.
Ger.Man: Começou o linguajar dificil, aqui ele só fala pra ele....
Eu: Dificil?!?! PCM?!?! Tu não sabe o que é PCM?!?! É Planejamento e Controle da Manutenção...
Ger.Man: Sim, sim eu sei, é aquelas planilhas que o Doutor Fulano pediu pra gente fazer....
Meu deus, tapado do cão!
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Estagiários - A função remunerada e não tributada...
(Estou postando mais pelo vício do que pela vontade - hehehe! Não tô podendo escrever muito, aperreio demais na fábrica.)
No meu setor tem 4 estagiários. O RH que definiu. Tem um na produção, um na armazenagem e 2 no escritório. Eles aqui aprendem fazendo, como gosta de salientar o RH. Mas isso pra mim é uma lorota escrota. Os caras pegaram os meninos, dão 1 salário mínimo, não pagam tributos nenhum e estes assumem responsabilidades de efetivo. Já estou cortando essa coisa aqui.
O Chefe de Produção chegou PUTO hoje pra falar comigo. Reclamando que o estagiário errou o sequenciamento da produção, não passou o email requisitando com urgência insumos de linha e tra la lá. Daí...
Chefe: Foi isso, tô PUTO AQUI!
Eu: Puto tô eu, desde quando estagiário é pra tá fazendo isso?
Chefe: Desde sempre...
Eu: Tá errado! Isso ai é pra você tá fazendo, estagiário auxilia, alias se auxiliasse era pra ser contratado como "Auxiliar Administrativo" , estagiário tá pra aprender meu amigo. Eu não quero saber! Corra atrás do prejuízo. Chama o menino aqui.
Chamei o estagiário e esculachei com ele. Isso pra ele sentir que realmente errou, mas depois tentei animá-lo. Estagiário está ali para aprender, ser uma pessoa com capacidade de assumir alguma função no futuro. Hoje as empresas encaram o estagiário como se fosse uma função própria, não como a lei dita. Na empresa que trabalho, não sai da regra. Do mesmo jeito. E na anterior que trabalhei, tinha estagiário responsável por melhorias de processos produtivos, para vocês terem ideia de como a coisa funciona por estas bandas.
Fui no RH e disse pra tomarem uma decisão: ou tiram os estagiários, ou deixam eles aprenderem fazendo, ou os contrata como efetivo. RH ficou de me passar posição até sábado.
Aguardemos.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Competitividade - Até onde isto nos levará?!
Acabei de chegar(19:58) e entrei no uol como de costume. Deparei-me com esta notícia que todo mês alguem publica, como, por exemplo, a tal Você S/A.
"Competitividade faz com que gerentes de empresas grandes trabalhem mais."
Link:
http://economia.uol.com.br/planodecarreira/ultnot/infomoney/2009/10/05/ult4229u2928.jhtm
O sujeito aponta que quanto maior o nível hierárquico dentro da empresa, maior o tempo de trabalho. De acordo com a Catho Online "presidentes e gerentes trabalham, em média, 53,2 horas por semana. Porém, se esse profissional está em uma empresa de grande porte, com faturamento acima de US$ 100 milhões por ano, esse número é ainda maior: de 55,7 horas."
Isto tudo se deve a tal competitividade tanto entre colaboradores como entre empresas, o que acaba sufocando os gestores no tocante a melhora de resultados. Ao final, o jornalista ressalta um ponto de vista do Diretor de Marketing Adriano Meirinho de que o "workaholic" não é bem visto, citando: "se ele entra muito cedo e sai muito tarde, não apenas significa que ele tem mais trabalho a fazer, mas sim que não organizou seu tempo bem, e administrou suas tarefas corretamente. O bom profissional é aquele que consegue ser produtivo no seu tempo de trabalho determinado pela empresa".
Como disse anteriormente, esta matéria é bastante recorrente no mundo corporativo. Esta coisa de competitividade move debates calorosos a cerca das horas de trabalho que um Gestor deve ter. Mas ninguém ainda abordou algo realmente importante: o desgaste humano. Sim, mais horas trabalhadas maior o desgaste do sujeito e pior a qualidade de vida. Isto sim mereceria um destaque, pois não vejo estes "Treinees" que entram agora com 25 anos, trabalhando no mesmo ritmo até os 50 anos - o que será exigido deles.
Digo isto, pois já sofri com isso!
Sai de uma Multi há alguns anos atrás por questão desta vida insana. Quando se fala em "55,7 horas de trabalho", eu tenho vontade de rir! Isto porque, nesta Multi, passei 14 meses fazendo 10h/por dia de terça a domingo, ou seja, 60hs de trabalho semanal. Aconteceu porque era férias do outro Gestor, daí assumi as duas funções. Quando chegou a Diretoria - sede em São Paulo - e me viram trabalhando, dando conta do recado, acharam por bem transferir o outro, já que eu estava correspondendo bem ao trabalho de gerenciamento. Lembro como se fosse hoje, os olhos brilhando da Diretoria ao saber que poderiam economizar uns 5mil reais por mês naquela filial, matendo o mesmo ritmo. Francamente: ô povo miserável!
Nesta época eu perdi quase 15kg - e é porque sou magro - bebia/saía somente dia de segunda - o pessoal do condomínio me chamava de "papudim", "pé inchado" e outras coisas - e dormia muito, bastante cansado. Minha mãe veio me visitar e chorou, quis me internar! (haeEHAHAEhahehaehaeheahae) Minha namorada na época, atual esposa, me deixou - com toda razão, pense aí: "Qual tempo este sujeito tinha pra ela?!" A minha vida pessoal virou um caos. Mas a minha mente estava voltada para o tal "sucesso profissional", a tal "carreira brilhante"; a vaidade me cegara completamente.
Tudo isto acabou quando eu dei uma pilôra no trabalho (é o noooovo!!).
Dia de inventário. Eu fiz 36hs de trabalho initerrupto, praticamente sem comer. Quando recebi o resultado do inventário, mostrando cento e tantos itens com valores bastante distorcidos, eu tive um ataque violento de stress. Quebrei o meu computador, esculhambei os supervisores responsáveis, joguei um copo cheio de água no chefe da empresa terceirizada, responsável pelo inventário. Chorei, me esbofetiei e desmaiei!!!( HaeheahaHAEHhae!)
Passei 2 dias no hospital, tomando tranquilizantes e outros medicamentos. Minha pressão estava em 25/12. O Médico me deu atestato de 10 dias, para terem idéia. Veio o Gerente Regional para assumir neste período e conversou comigo. Mandou eu tirar férias. Insistiram, mesmo depois da loucura que fiz, para eu ficar. Eles iriam me transferir de filial. Mas eu não quis. Para terem idéia, trabalhava tanto que quase não gastava e, depois de receber tudo da empresa, fui ao banco e vi um valor absurdo de dinheiro na conta. Tirei 2 meses de férias, no intuito de reatar com a namorada e refazer a vida.
Nestas férias refleti bastante. A minha qualidade de vida em primeiro lugar, ou o trabalho? Juro pra vocês que envelheci, em 2,5 anos de trabalho, pelo menos o triplo. O mundo era um ambiente estranho após sair de lá, porque tudo se resumia àquela filial.
Lembro que nestas férias fui primeiro para Salvador. Eu estava no pelourinho com a minha atual esposa, olhei para o chão de pedras, todo limpo, sem restos de comida, latinhas, pet´s de água e disse pra ela: "Meu Deus, aqui era imundo, olha como está hoje?! Limpo..." Ai me deitei em frente ao Museu de Jorge Amado, no chão! (HaeHaehaeheahaehhaehAEHhea) E eu deitado, olhando pro Céu, achando tudo aquilo muito lindo, como se fosse a 1ª vez que estivesse ali, como se nunca o céu estivesse naquela posição, tudo novo. Ali, naquele momento, representava - depois compreendi melhor - meu reencontro com a vida, a verdadeira. E no desenrolar das férias, percebi que o sucesso profissional era somente uma parte da vida, passar por aqui sem viver o máximo possível seria um fracasso bem maior.
Fiz a escolha mais coerente pra mim: qualidade de vida. Troquei as Multinacionais dos meus sonhos, por empresas de Médio/Grande porte. Minha ambição de assumir cargos de Diretoria continua. Ainda trabalho muito, mas não se compara a este período. Deste tempo, carrego alguns amigos, um deles se tornou Gerente Regional. Passei para ele um DVD com vídeos e fotos do batizado de meu filho. No MSN, as 22hs da noite - no horário que ele chegou depois de um período de viagens - colocou a WEBCAM pra falar comigo e ficou vendo o DVD que eu enviei. Mexeu-se na cadeira, tirou os óculos e riu bastante. Colocou novamente os óculos, ficou sério, retirou os óculos, coçou os olhos e começou a chorar...Muito emocionado, perguntei pra ele o porquê de estar chorando. Ele me disse uma coisa, que nunca esquecerei: "Velho, eu não sei o real significado de uma família e um lar feliz, igual a você!"
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Clima Organizacional - Identificando as pessoas para a "Limpeza do Ambiente"...- 2
Abri o post pra deixar claro duas coisas.
Primeira:
Agir ferozmente somente quando for desrespeitado e ofendido por pessoas sem nível, mal educadas. Infelizmente, no ambiente fabril ou de construção civil, as atitudes deverão ser estas. Nada de agir como um político, a galera destes ambientes só obedecem quando se age com força.
Segunda:
Muitos constumam encarar estes tipos com certa normalidade, achando que todas as empresas funcionam dessa forma e lutar contra é "nadar contra a maré". Meus amigos, não aceitem isto como certeza absoluta. Claro que você vai ter que conviver com um ou outro, isto faz parte, mas eliminar os principais sempre é bem vindo, até porque ficam como exemplo para os demais. Parta sempre do princípio que o ambiente do setor deve ser limpo, transparente e que as pessoas são valorizadas através da meritocracia. Pensando assim, os tipos realmente deverão ser eliminados, pois caso contrário, não conseguirá um clima organizacional valoroso.
Clima Organizacional - Identificando as pessoas para a "Limpeza do Ambiente"...
Se vocês assumirem cargos de chefia em uma outra empresa procurem entender o clima organizacional do todo e do setor que irá comandar. Isto é importante para evitar turbulências na rotina.
É o que estou fazendo atualmente. A ideia básica é limpar o setor daqueles colaboradores nocivos como, por exemplo: fofoqueiro, apontador de erro dos outros e o escondedor de técnicas. Aprofundarei os perfis.
O fofoqueiro provavelmente será o seu 1° "melhor amigo" na empresa. Irá lhe apresentar a todos da fábrica, pois tem o trânsito livre nos setores, sempre apontando "defeitinhos", que com um olhar pouco curioso poucos percebem se tratar do "Agente de Fofocas". A priori deve ser mantido por 1 ou 2 meses, porque as fofocas trazem tons de verdade e é importante que o chefe saiba de tudo. Porém não fique amigo, será bem mais dificil demiti-lo. Já identifiquei 2 fofoqueiros e um em pontencial. Estão me passando todas as mazelas do setor e, principalmente, os dos outros setores. Já estão com os dias contados.
O apontador de erros dos outros é clássico. Geralmente é um dos veteranos da empresa, conhecem muito - devido a experiência acumulada - e tem problemas quando erram. Desta forma, para encobrir seus próprios erros, buscam os dos outros de forma a estabelecer que se ele erra, outros fazem pior. É um ente nocivo, mas de dificil desligamento rápido, pois detém conhecimento apurado, tem FGTS alto e uma demissão cara. O melhor a fazer é tentar segurá-lo na rédia curta, falar mais alto do que ele sempre e quando ele usar de suas táticas, cortar o assunto. Se não for possível, demita-o no máximo em 6 meses.
O escondedor de técnicas é nocivo e, provavelmente, o mais dificil de corrigir e/ou demitir. Ele tem a "manha" das atividades do setor, resolve os principais problemas, desenrola tudo, porém só ele que sabe. Foge, tal qual Satanás da Cruz, de escrever o que sabe nos procedimentos do setor. A empresa fica extremamente dependente das suas ações e de mãos atadas a qualquer mudança no hábito deste. O problema maior reside nas regalias que estes tem: tiram ferias quando querem, chegam na hora que quer, não obedecem aos chefes imediatos(somente aos donos), entre outros. Eu costumo tratá-los bem e os dou status de "ser supremo intocavel". Eu e mais 2 pessoas ficamos encarregados de saber tudo que ele sabe e anotar nos procedimentos. Prazo de demissão de 1 a 2 anos, dependendo do quanto ele agregou de conhecimento.
(Abre Parêntese
Aqui na empresa têm 1 e do estilo mais agressivo. Numa das poucas vezes que desci ao chão-de-fábrica, pedi prele fazer uma alteração de layout na área de Produtos Acabados, porque tinha movimentação demais. Porém como ele havia colocado daquela forma, achou por bem dizer que era melhor deixar como estar, além do mais deu uma risada e disse algo do tipo "Eu tenho 15 anos de fábrica, a melhor opção é esta aí, você ainda tá novim nas decisões..." Enguli a seco, não poderia brigar com ele ali na frente de todos. Mas depois chamei-o para sala de reuniões. Travamos a singela discussão.
Eu: Quem é o seu chefe?
Escondedor: O que é?
Eu: Você me escutou - não se sente, fique em pé mesmo - quem é seu chefe?
Escondedor: Olha eu não gosto de ser tratado assim não...
Daí me levantei, com a cara de cão raivoso que eu tenho, apontei na cara dele e disse:
Eu: Olha seu Filho da P*, novim é o Car*!!!! Quem manda sou eu, eu sou seu chefe, se eu lhe mandar fazer alguma coisa você faz! E na próxima vez que você me desrespeitar na frente de todos, você vai ter o troco a altura do seu tamanho, que é do tamanhao do orgão genital de uma lêndia.
Escondedor: VOCE ME RESPEITE!
Eu: Respeito o car*, comigo é olho por olho, você me desrespeitou primeiro! E se você for homem, como eu fui lhe trazendo pra cá longe de todos, essa conversa fica entre nós. SAIA DAQUI JÁ!
Ele saiu foi manso.
Com estes que constumam desrespeitar, desqualificar, você tem que agir ferozmente, com sangue no olho. Porque na primeira oportunidade se você não reagir, eles te engolem e você se torna capacho deles. Depois disso, chame-o a sala e discuta coisas de trabalho, como se nada daquilo acontecera de verdade, dando a "certeza" para ele de que você precisa dele, dando o assunto por encerrado. Caso ele fofoque essa sua ação e você desconfie, chame-o para outra conversa "agradável".
Fecha Parêntese)
Existem outros estilos também, como o "doente", o "namorador" ou o "frustrado". Com estes, muita conversa e paciência até porque se você começar a rotular todos com tipos não sobrará ninguem no setor. Ja foram identificadas as mazelas, passa-se a limpeza.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
RH - Até que enfim
Mudei de emprego. Nova empresa. Novo RH. Excelente RH, o primeiro em minha longa trajetória. Fique bastante emocionado :~~( .
Eu já tive uma boa impressão quando da entrevista. Apesar de ter sido uma indicação e do processo seletivo para a vaga estivesse praticamente concluído - faltava o diretor validar um dos candidatos - ela fez todos os procedimentos comigo, sem resmungar e sem atitudes tendeciosas. As perguntas na entrevista de perfil do RH foram muito bem elaboradas e a analista tinha plena ciência das atividades a serem executadas pelo meu cargo. Não fez questionamentos imbecis a cerca da minha experiência - concentrada em logística - apesar do cargo que concorria ser voltado mais para área Industrial e atuou como uma analista de perfil comportamental e deixou a parte técnica para a diretoria. Enfim, muito bom.
Mas o melhor estava por vir. Neste sábado, quando as atividades administrativas da fábrica diminuem, eu tive uma grata conversa com a Gerente de RH. Como disse em tópicos passados, nos primeiros momentos na fábrica busco por dados - estoques, indicadores logísticos e financeiros e clima organizacional. Mal entro, de fato, no chão-de-fábrica. Assim, estava procurando dados no Financeiro a cerca de custos, que fica do lado do RH, quando a Gerente me chamou para um papo.
Queria minha opinião a cerca da vaga de "Analista de PCP" que estava sem ser preenchida há mais de 15 dias. Ela já realizava, antes mesmo da minha contratação, processos seletivos sem sucesso. Entrevistou uns 12 candidatos, mas ninguém atingia o perfil desejado pela empresa. Pedi pra ela me apresentar os curriculos de quem ela entrevistou para uma nova triagem. Analisamos. Vi que o fora do perfil de todos era porque o perfil de Analista de PCP estava, digamos, mal formatado. Tinha coisas bastante específicas, como: dominio de técnicas de MRP, conhecimentos em ferramentas de ERP(focando o nosso ERP), 2 anos de experiência em PCP e por ai vai. Claro e evidente que o PCP vai ter que ter estes domínios, mas o problema é que uma pessoa com estas características não estará fora do mercado dando sopa. Por que?! Explico.
Trabalhar com PCP é um martírio. A pessoa é o coração da Fábrica, recebendo/bombeando informações em todos os sentidos, de Vendas a Financeiro, passando por Produção, Logística e Qualidade. É chefiado pelo Gerente de Produção, mas é cobrado por todos. Erros mínimos geram estragos nos custos produtivos. Sendo assim, pessoas que desejam realmente trabalhar com PCP são poucas. As que já estão empregadas não desejam trocar de empresas, até porque teram que aprender novas dinâmicas produtivas, outros insumos, outros tipos de vendas, enfim, é um tiro no escuro: sucesso ou fracasso eminente. O que mais vi foi pessoas de PCP assumirem cargos de Chefia de Produção, Gerência logística, porque dificilmente eles pulam de empresa a empresa com mesmo cargo. Isto é uma característica intríseca desta função.
Expliquei isto a minha amiga:). Muito explicou que pessoas já empregadas e que tinham outras funções semelhantes não foram aproveitadas. Também outras pessoas empregadas como Analistas de PCP em outras fábricas, não quiseram permanecer - salário igual ao que já tinham. E ficava o impasse. Peguei dos curriculos apresentados 4 pessoas, analistas de suprimento/logística, e pedi pra ela entrevistar novamente. Procurasse pessoas corajosas e com conhecimento teórico de PCP, o resto eu resolvia treinando o sujeito.
O que mais me agradou foi o fato dela ter me escutado e promovido a mudança no documento de perfil para Analista de PCP. Esta visão mais de mercado, digamos assim, promoveu nela um sentimento de mudança positivo, pois várias vagas deixavam de ser preenchidas porque não se via por este outro ângulo o processo seletivo.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Demorei denovo...
Demorei denovo.
Agora não foi nem por nova proposta de emprego nem para assumir compromisso profissional, mas sim por uma tremenda mancada. Eu tenho bastante experiência na iniciativa privada e acabei me empolgando com os resultados obtidos na empresa e comecei a extrapolar em algumas decisões, o que gerou problemas junto aos donos do negócio.
Sabe aquele post, onde pedi para o estagiário fazer um projeto de redução de estoques?! Pois é, acabei cedendo a ele algumas informações sobre custos naquele momento e o pessoal da diretoria não gostou, me acusando de ingerência administrativa(?!). Disseram-me que as informações eram confidenciais, somente nível de supervisão para cima poderia ter acesso e que eu sabia disso, pois havia "assinado o treinamento de Gestão das Informações dado pelo pessoal de TI".
Olha, não por ter assinado, mas eu sabia disso sim. Achei que esta coisa de colocar as informações de maneira confidencial aguçaria a bisbilhotice dos outros, levando a espionagem de informações que por si só não fazem muita diferença, dependendo sim de uma análise criteriosa de alguem com experiência no setor.
O fato é que fui chamado a atenção e criticado duramente pela diretoria. Até aí tudo bem, acontece. Mas o que vocês acham de ser ameaçado?! Pois é, fui ameaçado até de processo "por crime de responsabilidade"(?!). Vai seguir algumas linhas importantes da discussão.
Eu: Me processar?!
Diretor Industrial: Evidente, não se faça de besta. Você não pode liberar informações desta forma não fulano, você tá maluco?! A gente tem o trabalho de fazer o levantamento, cadastrar, ter o controle e você entrega de mão beijada para qualquer pessoa?!
Eu: Alto lá! A gente, quem?! Todo este processo de levantamento dos custos fui eu que capitaneei contra a vontade de vocês que achavam perda de tempo. Esta empresa tava com a logística fracassada quando eu assumi, eu junto com a minha turma levantamos isto aqui. Olhe os dados de redução de custos, o fluxo de caixa, Dr Fulano mesmo chegou aqui cheio de pose dizendo que ia comprar helicóptero e num sei que e você acha que meu trabalho não tem participação nisto?!
Diretora Administrativa: Ninguém aqui está lhe desmerecendo, não! Você errou e deve assumir.
Eu: Eu já assumi, desde o momento que aceitei conversar com todos vocês.
Dono 1: Você é muito atrevido hein...
Dono 2: Por mim esta conversa já está encerrada...
Eu: Para mim não, fui ameaçado aqui. Nunca fizeram isso comigo. Tudo por uma planilha que a pessoa provavelmente vai esquecer que ela existiu?! Sou um profissional de longa carreira, não admito ser ameaçado por seu ninguém.
Diretor Industrial: E aí?! Vai fazer o que?!
Eu: Vou voltar para o meu setor, dizer tudo que aconteceu. Pedir desculpas por todo constragimento causado. Bola pra frente, para eles. Bote os meus 30 dias de aviso prévio...
O clima ficou tenso. Minha atitude foi a pior possível, porque nesses momentos a gente precisa ser mais cara de pau e político. Porém eu sou gente e não perdi a capacidade de indignar-me. Os diretores começaram uma conversa de "Deixa disso...não precisa ser assim, intempestivo...", porém ameaça é uma coisa muito séria. Se naquele momento eu engulo e volto com o rabo entre as pernas, qualquer passo errado meu seria prontamente advertido e ameaçado, imaginem o clima tenso?!
Voltei para o setor e fiz o que dissera anteriormente. Muitos sentiram o baque, outros ficaram bastante felizes. Pedi para que ninguém fofocasse a minha saída, que iria fazer de maneira calma e sem alarde. No outro dia após a reunião, meu diretor me mandou outro email desaforado. Não vou transcrever o email, mas coisas como "ingratidão" e "safadeza" foram aplamente comentados. Fui ter com ele, entreguei o cargo formalmente e o RH começou o processo de seleção e eu de passar as coisas para o meu diretor, chefes imediatos e supervisão. Indiquei 3 da minha equipe para assumir o cargo, o RH rejeitou todos - isto já foi uma retaliação da diretoria para comigo. Nem falei para os meninos esta atitude, a fim de não gerar maiores conflitos.
Coloquei, humildemente, meu curriculum no mercado. Em 10 dias, recebi 2 propostas para mesmo cargo em empresas concorrentes a esta e, por questão moral e ética, recusei, pois poderia passar, indiretamente, dados relevantes. Mas, graças a Deus, recebi proposta para mesmo cargo em ramo diferente. Aceitei depois de consultar amigos que já trabalharam lá, o mercado e o meu novo superior.
Estou a 5 dias na nova empresa, maravilhado pelos desafios. A antiga empresa ainda me liga, porque desandou o negócio: estão sem um substituto para o meu antigo cargo, os chefes não estão integrados - como eu fazia - e o que era um setor coeso, virou um bando de empregados sem foco (isto em pouco tempo, imagina se não chegar um Gestor competente logo?!).
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Universidades - As Federais estão ficando para trás
Tenho me surpreendido muito com o nível cada vez mais alto no quesito teoria-prática dos alunos de faculdade particulares. Trabalham comigo 2 estagiários, 3 operadores, 1 assistente e 2 supervisores que estudam, ou se formaram, nestas instituições.
Vou citar um bom exemplo de como a turma está sendo bem formada.
Um dos estagiários que trabalha comigo, que faz Administração, está lotado no setor de compras da empresa. A turma pinta e borda com estagiário, colocando-os para fazer protocolos, arquivos de documento, 5´s, estas besteiras que não contribuem em nada com a sua formação. Então, chamei-o para minha sala e, como de praxe, dei um projetinho pra ele realmente demonstrar suas qualificações.
Comprador na nossa empresa tem função híbrida: compra e controla os níveis de estoque. O Supervisor do setor - apesar de bastante competente - tem uma dificuldade tremenda em supervisionar a eficiência dos compradores na gestão dos estoques. Isto acontece até porque o Supervisor tem várias atribuições, as vezes, assumo, falta-lhe tempo. Pedi ao estagiário para bolar uma maneira de controlar os níveis de estoques essenciais para a nossa empresa, buscando uma redução responsável dos volumes de estoque e, por consequencia, dos investimentos em estoque. Dei 2 semanas para ele trazer o projeto.
Na 2ª semana, antes do prazo, ele trouxe o projeto com apresentação e tudo. Achou que ia mostrar só para mim, mas chamei o Supervisor e os Compradores. Senti que ele ficou nervoso, começou a suar e ficar pálido. Cheguei junto e disse pra ele se acalmar que ninguém ia lhe desmerecer ali dentro, por mais que o projeto esteja errado, já haverá alguma contribuição.
Dito isto, ele começou a apresentação. O Power Point dele estava meio horroroso, mas dava para entender. Falou pausadamente, tremia a voz, isso é nervosismo e eu não levo em conta. Quanto ao projeto, estava muito bom. O que foi que ele propôs?
Primeiramente ele montou o ABC dos estoques, levando em consideração os gastos relativos, dividindo-os em insumos produtivos, manutenção e diversos. Ele falou que descartara analisar os materiais diversos, onde se enquadrava, por exemplo, materiais de expediente e consumo, por não ter influência direta no processo produtivo. Então, nos mostrou a planilha e apontou em torno de 120 itens, onde através de cálculos de previsão baseado no histórico dos itens e as previsões de produção, poderiam ter seus estoques reduzidos, diminuindo algo em torno de 20 a 30mil reais de gastos/mês. Sugeriu, ainda, que fosse adotada uma planilha que ele criou para investigar outros itens que, apesar de não terem relevância financeira, deveriam ser controlados de perto a fim de garantir nenhuma pausa indevida da linha de produção.
Os compradores o arguíram, o supervisor também e eu fiquei apenas observando. Eles mal acreditavam que aquele "menino" tinha o tal conhecimento e, apesar de lotado em funções burocráticas, fizesse um projeto com êxito. Eu dei os parabéns e pedi pra ele auxiliar diretamente o Supervisor nessa nova empreitada. Mas antes, pedi pra ele ficar na sala comigo...
Eu: Parabens, muito bom!
Estagiário: Valeu...
Eu: Valeu...vem cá, quem é teu professor nessas cadeiras de logística, produção, la na tua "facu"?
Estagiário: O Cicrano de tal, tem muita experiência na área.
Eu: Conheço demais, trabalhei com ele. Eu nunca acharia que ele viraria professor um dia, ele é muito bom.
Estagiário: Pois é, ele terminou o mestrado e prefere ensinar e fazer consultoria do que voltar para as fábricas...
Provavelmente seja este o sucesso destas faculdades: colocam pessoas experientes como professores. Diferentemente ocorre nas Federais, onde a maioria dos professores não tiveram uma relação profissional na área de atuação, a não ser com pesquisas, indicadores ou consultorias, ou seja, olhando de longe como as coisas acontecem. Na minha época de estudante, o professor de logística mal sabia o que era logística de fato - lembro até que não conseguiu me explicar o porquê da logística reversa ser tão boa e as empresas não adotarem.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Economia - A importância da estabilidade econômica e seus poréns...
Fui convidado há uns 3 anos atrás, para ministrar uma palestra de logística numa dessas faculdades particulares da vida. Era para ser 1h de palestra, mas virou 2hs, tamanho era o debate a cerca da conjutura política e econômica que o Brasil vive desde que o Barbudinho entrou.
Quando eu falo de logística, umas das coisas que eu mais bato é em cima da dinâmica teoria-prática neste quesito. Um gestor tem por obrigação, mensalmente, rever os conceitos do fluxo logístico no intuito de sempre reduzir custos, focando o menor tempo entre a entrada de insumos e a venda do produto. A evolução científica da logística anda a passos largos e todos precisam estar bastante atentos para não ficarem para trás.
Na platéia havia universiários sem experiências, profissionais da área, filhos de donos de empresa, além de professores. Vários concordavam comigo e outros não. Um deles provocou uma discussão saudável.
Eu: Deve ter mensalmente a entrada de novos projetos de melhoria, mesmo que a empresa esteja muito bem neste quesito.
Ouvinte: Mas Fulano, mensalmente?! Não seria exagero não. A minha empresa lá tem problemas como todas as outras tem, transportes, roteirização, mas mesmo assim é lucro por cima de lucro...
Eu: De fato, a conjutura econômica e política de hoje permite que as empresas não cuidem dos seus negócios como deveria. As margens brutas dos produtos estão cada vez mais altas, permitindo o disfarce das perdas operacionais, exemplo: retrabalho, perda, movimentação excessiva, superestoques, superprodução. E isto não gera riquezas para o país, é só pensar que esta calça que vestes, muito do que você pagou foi por parada na produção, retrabalho, perda de material. Uma calça que você compra a R$ 100,00, poderia custar R$ 80,00, mole mole...
Nisso o clima pegou fogo!!! Tinha na sala pessoas que eram donos de confecções. Estes se indignaram, pois atribuiam margem à qualidade que davam aos produtos, as facilidades de vendas e etc. Eu até concordo, mas muita destas confecções "bem de vida" do Ceará não viveram na época de 97 - 00 onde muita delas quebraram, devido a crise financeira no Brasil. Nesta época, não havia tanto consumo como hoje. Lembro-me que nesta época eu tinha 6 calças para usar por todo ano, aliás, ficavam algumas para o outro ano. Hoje, eu tenho 15 calças e muitas delas vão embora em Janeiro. O consumo baixo não mascarava os problemas produtivos da empresa como muita perda, superprodução e etc. Hoje as empresas melhoraram suas condutas logísticas?! Não! Acredito que algumas até pioraram...
Eu: Por isso que devemos sempre estar na crista da onda, pois a logística, daqui a 5 anos, será mundial: compra-se na África, faz-se no Brasil e vende-se para Europa. Isto para grandes empresas?! Não! Pra todo mundo, inclusive vocês das calças...
Todos: HAhehahahahehhaeHEAHA!
O debate foi muito bom, eu me lembro. Apesar de quase terem me dado uma surra, foi bom. O que muitos não entendem é que a estabilidade econômica, a política de crédito e, principalmente, a conduta fiscal que torna a União e a maioria dos Estados, de certa forma, superavitários, faz o Brasil crescer bem todo ano. Com isso o volume de vendas aumenta e as empresas cada vez mais não buscam maneiras melhores de conduzir seus negócios, visto que isso "esconde" as mazelas operacionais.
Este ano de 2009 ficou latente esta percepção. Muitas empresas do Sul, com a crise Americana, reduziram pessoal, diminuiram investimentos, ou seja, não acreditaram na estabilidade do Brasil - de acordo com a mídia. Mas o que aconteceu mesmo foi que as empresas estavam mal das pernas, bastando cair o consumo para o desespero vir a tona. Outras mais sólidas, reviram conceitos, mas não demitiram tanto quanto as demais e nem reduziram seus investimentos. Estas empresas perceberam que não haveria retração do consumo e sim a falta do crescimento costumeiro. E o resultado foi que, depois da crise, muitas empresas conseguiram uma fatia maior de mercado, ampliando seus negócios, pois outras do ramo diminuiram seu poder de atendimento à demanda. Nos momentos de crise é que devem ser procuradas as oportunidades e rever conceitos é um bom começo.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Logística - Poucos sabem o que realmente significa...
Estive envolvido na contratação de um novo chefe aqui na logística da empresa. Quando os pré-selecionados vem para a entrevista comigo, eu costumo fazer a seguinte pergunta: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
Dito isto, vamos a fofoca! HeHEhEeHe!
RH me mandou 3 pessoas para a entrevista técnica. O primeiro era mais velho do que eu, formado em Eng. Civil, 10 anos trabalhando em transportadores e armazéns, vários ramos: calçadista, têxtil e máquinas pesadas. Segundo era mais novo do que eu, administrador com pós em Logística, 2 anos de experiência com expedição, faturamento e compras. Terceiro era da minha idade, tem ensino médio, terminando a facu(como dizem os jovens) em Administração, 8 anos de experiência com distribuição de materiais. Ok, todo mundo batia um pouco no perfil.
Entrou o 1°. Conversamos um pouco, sobre as experiências dele, falei do cargo e tra la la...Dai conversa:
Eu: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
Primeiro: É uma pergunta bastante abrangente, fulano, pois envolve...
Eu: Ei, poucas palavras...
Primeiro: Sim, para mim é armazenar e transportar os produtos da empresa até o cliente final, buscando garantir o nível de serviço adequado para empresa.
Ok. Excelente candidato e curriculum. Apesar de ser mais velho do que eu, me respeitou a todo momento. Isto é a maior prova de humildade e sentimento de hierarquia. Mas não me respondeu o que eu queria ouvir.
Entrou o 2°.
Eu: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
(Silêncio, estalo de dedos, olhos para o nada...)
Eu: E ai?
Segundo: A logística, fulano, se resume a duas coisas: armazenar e distribuir. O fato de armazenarmos é pelas incertezas do processo produtivo e às garantias de correto funcionamento da empresa, e distribuir porque é necessário alcançarmos os nossos clientes onde quer que seja.
Ok. Ótimo candidato e curriculum. Resposta dele muito boa, melhor até do que o Primeiro. Falou de processo produtivo, importante, mas que não é a mesma coisa de fluxo de materiais.
Entrou o 3º.
Eu: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
Terceiro: Logística?
Eu: É...
Terceiro: É...
Eu: E ai?
Terceiro: Eu posso lhe contar pela minha experiência e pelo meu tempo de faculdade...
Eu: Poucas palavras, terceiro!
Terceiro: Fluxo e Informação.
Eu: Hein?!
Terceiro: Fluxo e Informação, você num disse?! Poucas palavras.
Eu: Explique-se...
Terceiro: Bem, o fluxo dos materiais, quer seja insumos ou produto acabado, e as informações extraídas desde a entrada do insumo até a venda do produto, isto é logística.
(Ai eu me empolguei...)
Eu: E logística reversa?!
Terceiro: Sei não, senhor...
(Felicidade de pobre dura pouco! Haehaehaehhaeaehaehae)
Os 3 candidatos passaram na minha avaliação, mas escolhi o 3°, pois falou o que eu queria ouvir. Pela conversa, vi que realmente ele tinha muito conhecimento teórico e prático. Talvez porque ainda esteja na faculdade, e as disciplinas ainda fervilham na sua mente.
A resposta nunca é dada completamente. Até porque a logística, apesar de ser um ramo extremamente pesquisado e com sólida base científica, muda, na prática, de empresa para empresa. Alguns enfatizam a armazenagem, a movimentação, transportes, mas a resposta mais correta, na minha opinião, seria a seguinte:
"A logística compreende todo o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e informações relacionados desde o local de origem até o local de consumo com a finalidade de satisfazer as necessidades dos clientes."(CLM, 1991)
Quem vai responder assim?! Poucos. Então eu nunca exijo uma resposta completa, porém para o cargo de chefia precisa que a pessoa fale duas coisas: fluxo de material e informação. A logística se resume a esta perspectiva, a busca insana de eficiência no fluxo de material e a coleta máxima de informações para suprir as decisões dos gestores.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Os valores da empresa - são efetivamente cumpridos?
Há uma hipocrisia organizacional que paira no ar e de dificil assimilação: os valores que a empresa prega e o que realmente acontece. Lá na intranet, aquele documento que consta Missão, Objetivos, Valores, tudo aparece bem explícito, mas na prática existem coisas absurdas. Suponha que na empresa a qual trabalha, prega-se valores como "Honestidade", "Inovação" e "Proatividade". Quer ver como, geralmente, isso não funciona?!
Honestidade
1. O sujeito faz apontamentos na linha de produção sobre peças defeituosas. Aponta uma quantia x, que trará um impacto negativo na eficiência produtiva. O Chefe de Produção ao invés de mandar para sucata, manda para uma área intermediária, onde a Qualidade fará uma nova inspeção afim de constar o erro. Dessa forma, estas peças não podem ser consideradas defeituosas, não participando na avaliação de índices de eficiência.
E ai, o cara foi honesto?!
Inovação
2. A empresa trabalha com um sistema em DOS, que dificulta a consulta de dados e relatórios. O Gerente de TI promove um estudo, onde aborda a necessidade de um ERP - exemplo, Logix - para a melhoria do fluxo de informações produtivas internas. O Diretor acha o sistema caro, nem procura emprestimos para financiar esta inovação, nem tira do bolso e dá o caso como encerrado. E ai, a empresa é comprometida com a inovação?!
Proatividade
3. O sujeito trabalha na logística como auxiliar de estocagem. Verifica que a movimentação dos insumos produtivos está errada, pois alguns destes, com maior rotatividade, estão lá no fundo do galpão, dificultando a movimentação - 7 perdas produtivas - de insumos. Relata isso por email para o chefe. Fala com o chefe. Depois de 2 meses, nada ainda foi feito. E ai, a empresa valoriza a proatividade dos funcionários?!
Estes exemplos simples apontam um problema: conflito entre os valores. Nós costumamos passar por cima disto diariamente, fechamos os olhos e seguimos em frente. Mas esta atitude provoca uma reação em cadeia em todos os colaboradores, culminando num clima organizacional negativo e instável. Uma das principais consequências disto é o ato das pessoas serem omissas com suas responsabilidades, escondendo seus erros e tratando os valores organizacionais como um mero documento safado do RH.
Na realidade este erro ocorre por ser tratado como uma mera formalidade, pois todas as empresas atualmente tem estes documentos e não fazem palestras e nem treinam as pessoas efetivamente. Não basta entrar na empresa, assistir aquele video de mil novecentos e me esqueci, onde a analista de RH relata os valores prezados pela instituição, e ir à Produção! Não! Estes valores tem que ser mostrados lá no operacional, nas atividades desempenhadas diariamente, nas decisões tomadas pelos Gestores. O comprometimento com os valores não é adquirido instantaneamente, é mais do que isso: uma questão de hábito.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Promoção - experiência e qualificação são suficientes?!
Tem um sujeito que trabalhou comigo no setor de suprimentos, cuja função era de assistente. São 5 anos de empresa, 1 graduação e uma pós em logística que está ainda por concluir. Ele pleiteava um cargo de chefia vago na empresa. E achava que sua qualificação e experiência eram fatores únicos para sua promoção.
A graduação e pós graduação é fetiche de RH, pois não querem dizer muita coisa em determinados cargos. O conhecimento só é efetivo quando aplicado para o bem, para o melhor andamento da empresa. A experiência somente é necessária quando ela se torna um diferencial, algo que dificilmente uma pessoa inexperiente conseguiria executar com mesma magnitude. Neste caso específico, a função que ele desempenhava era rotineira, onde qualquer um faria o mesmo.
Dito isto, vamos a fofoca! HeHEHE!
Sujeito: Dr. Fulano, eu acho que consigo substituir o Beltrano no setor. Como o senhor nos treinou, eu sei das responsabilidades dele, o que ele fazia e como tenho experiência e qualificação acredito que seria até melhor para empresa me colocar lá.
Eu: Claro! Evidente que você se torna uma opção atraente para a empresa. Sujeito, você quer esse cargo, ele será seu. Mas você vai ter que fazer, antes disso, um projeto de melhoria como o Beltrano fazia.
Sujeito: Mas Dr., pra que isso? Eu sei fazer as coisas, tenho experiência e qualificação, todo mundo aqui me conhece. O senhor acha que tem necessidade de me testar?!
Eu: Lógico. O que difere Beltrano de você, essencialmente, são os projetos. Eu tenho um aqui perfeito para você. Sabe aquele corredor de movimentação na área 3, você...
Sujeito: Não...
Eu: Não o que?! Você acha que iria subir simplesmente pela sua graduação e pós, que nem terminou, e experiência?! Você acha que isso é suficiente pra cuidar disto?! Você tá andando muito com RH e você me conhece e eu odeio o que você está fazendo agora! Tá me escutando?!
Sujeito: É que eu pensei...
Eu: O que você pensou foi errado! Vai querer fazer o teste ou não?! Me surpreende muito vir de você essa papo furado, sabe que todo mundo aqui é testado sempre que quer algo melhor.
Sujeito: Mas na Produção não é assim, no RH não é assim...
Eu: Cara, você é um idiota! Eu te dou a oportunidade que nunca ninguém aqui te deu e tu vem com esse papo safado pra cima de mim?! Olha, quer ou não quer fazer o teste?!
Sujeito: Quero sim....
Esse foi o papo, curto e sem rodeios. Eu inferi na hora a má vontade dele. Não por ele se sentir ofendido com o que fiz, mas porque ele realmente não tinha capacidade para fazer as coisas que diferenciavam ele de Beltrano. Este era o problema dele, queria subir por causa da experiência e qualificação, como é em todo lugar. Mas comigo é diferente. Até porque experiência e qualificação ajudam a meritocracia - a qual utilizo sempre - mas não são razões estantâneas para promoções.
Voltando...
O projeto que dei foi o mais simples e rápido possível, mas que precisava de uma dose alta de inteligência e conhecimentos teóricos, basicamente o que o sujeito viu em logística. A meta era ele me trazer a solução em 5 dias - se eu fizesse, demoraria uns 2 dias estourando. Trouxe em 8 dias. Ok, recebi o projeto e pedi uma apresentação.
A apresentação foi mediocre. Isto não é fator preponderante até porque se ele assumisse o cargo, trabalhando mais diretamente comigo, isso eu corrigiria.
A solução foi mediana. Não estava correto alguns dados que ele coletou. Mas mesmo assim, eu vi um esforço e já estava me decidindo em colocá-lo, pois as pessoas precisam de oportunidades e ele neste cargo talvez se empolgasse e fizesse a diferença.
Porém...
Quando eu fui falar o que tinha achado da apresentação e da solução, dizendo o que citei acima, ele falou uma merda grande.
Sujeito: Olha, se o senhor não quer me dar o cargo, diga logo. O senhor viu que eu me esforcei, tenho experiência e qualificação, a solução tá correta e o senhor fica botando empecilhos...
Eu: Como é que é, a solução tá correta?! Você tá me desafiando?! Perai...
Eu o chamei e descemos para o chão de fábrica com o projeto dele nas mãos. Fui batendo com ele ponto-a-ponto, dizendo os erros e a melhor solução. Foram 2 horas de conversas e explicações. Cada vez mais ele baixava a cabeça, concordando comigo. Ficou pálido, pois viu que tomou uma atitude precipitada. Senti que ele quis chorar no momento que eu disse...
Eu: Viu?! Você só pode ser maluco em me desafiar. Se estou aqui, como seu chefe, provavelmente eu deva ter mais conhecimentos. Eu não sou tocador de setor como estes seus amigos, não. Te dei a oportunidade, eu até iria te promover pois vi seu esforço, mas, porra, me desafiar sujeito?! Que merda hein...
Voltamos para o escritório. O clima estava bastante carregado, todos do escritório viram quando nós subimos: eu, com os olhos vermelhos de raiva e ele com os olhos cheios de lágrimas. Conversamos. Mostrei para ele que a experiência, o tempo de empresa e as qualificações ainda não provavam que ele era merecedor de tal promoção. Para assumir um cargo de chefia - isso não é a regra, mas eu utilizo disso - precisa do algo a mais, o talento, por exemplo. Faltou-lhe postura e saber se comunicar com o chefe também. Como trabalhavamos a 2 anos, ele já deveria saber como se reportar a mim. Mas ele se precipitou e achou que o cargo era dele e eu estava errado em não colocá-lo.
O fato é que nós enxergamos demais as aparências, tiramos conclusões sem embasamento estruturado. Ele tinha experiência e qualificação aparente. As pessoas achavam ele super competente porque conseguia dizer todos os códigos de insumo de determinado produto, os 3 principais fornecedores de cada insumo, os componentes do insumo, etc.. Isto não reflete a qualificação da pessoa, nunca, pois para um assistente isso é mais do que obrigação e se torna ainda mais obrigatório visto a experiência acumulada de anos. E as suas qualificações não serviam para incrementos na função, pois insistia em tornar seu serviço especialmente rotineiro, não agregando nada de seu conhecimento à melhorias.
Sabe o que aconteceu com ele?! Ele pediu para sair da empresa, saiu e eu arrumei outra briga com o RH. Ainda tive que escutar coisas do tipo: "Fulano é muito exigente, nem ESPECIALISTA segura com ele...". Como diz o povo daqui: "Ai dento!"
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Os Intérpretes - Quando o inglês pesa mais do que qualquer coisa...
Ultimamente todos os cargos executivos vem com a necessidade do Inglês fluente. Isto ocorre pela crescente globalização, onde tudo pode ser comprado/vendido em qualquer parte do mundo. Fato. Mas o que me intriga é a questão destes cargos essenciais serem impreterivelmente ocupados por pessoas com fluência no inglês em detrimento de outras habilidades.
Isto tem permitido, ao meu ver, uma nova carreira: os intérpretes. Heheheheheh! São pessoas com fluência no inglês, as vezes com espanhol, mas seriamente limitados no operacional da empresa e que ocupam cargos executivos e outros tipos principais. Servem simplesmente para fiscalizar o andamento do setor e falar com os acionistas principais, geralmente estrangeiros. Em certos casos, com fornecedores ou clientes internacionais. Nem conseguem tocar um setor.
Dito isto, vou contar um caso típico que já deve ter acontecido com alguns de vocês.
Estava eu no meu escritório, trabalhando e o celular toca:
Eu: Alô...
Pessoinha: Fulano de Tal?
Eu: Sim...
Pessoinha: Olha é que estamos com o seu curriculum em mãos e estaremos começando(AAAAAAAarrghhh!) um processo seletivo, para Gerente de Supply Chain da nossa empresa. O senhor teria interesse?!
Eu: Bom dia! Olha, primeiro gostaria de saber como meu curriculum parou aí.
Pessoinha: Foi uma indicação e tiramos o seu curriculum do Catho.
Eu: Ah tá. Quanto é o salário?
Pessoinha: No momento não temos esta informação, senhor. Vai depender da negociação. E gostariamos de saber como está o seu inglês? O senhor é fluente?
Eu: Não...
Pessoinha: Mas assim, o senhor não quer nem que eu faça uma entrevista simples agora por telefone, para saber como está o seu inglês?
Eu: Jovem, eu não tenho fluência em inglês. Se vocês querem um intérprete, eu tenho alguns bons amigos...
Pessoinha: Ok. Muito obrigado, senhor! Tenha um bom dia.
Eu estou muito bem no meu emprego. Trabalhei anos a fio e conquistei meu espaço. Não me submeto a este expediente. A senhorita lá ficou meio indignada, porque falei do intérprete. Ora, se o inglês fluente vem antes de qualquer análise curricular mais acurada?! É intérprete sim. Então, passou-se uns 2 meses, telefone toca novamente.
Eu: Fala autoridade!!
Autoridade: Fulano, vem me ajudar cara! Eu te indiquei pra vir pra cá e você não quis?! Mandaram um sujeito aqui sem conhecimento algum do setor, passa o dia respondendo emails, conversando com fornecedores estrangeiros e traduzindo mensagens da diretoria....
Eu: Ah, um intérprete?!
Autoridade: Hehehe! Isso mesmo...
Eu: Cara, até me ligaram. Mas a mulher desligou no momento que eu disse se ela procurava um intérprete.
Autoridade: Putz....
Eu: Paciência, jovem. Botou inglês fluente no processo seletivo, há um risco grande de o RH errar na escolha.
O fato é que esse cara não foi demitido até hoje, mas o setor está na mão dos seus chefes. E a empresa ainda passa pelos velhos problemas de supply chain(armazenagem, movimentação e transportes). Segundo o meu amigo, ele leva bronca quase toda semana e, mesmo assim, ainda é mantido porque ele já tem o contato muito bom com os fornecedores e os donos acostumaram a conversar com ele e ficaram, de certa forma, amigos.
Não tolero esta mudança que ocorre nas empresas. A fluência em inglês é fato e todos precisam se adaptar a esta nova regra, mas nunca isto ser o fator preponderante numa seleção. Isso é burrice, tiro no pé. Porque um cargo importante serve como centralizador e conversor das diversas áreas que compõem a gerência. Então esta pessoa precisa de muito conhecimento e experiência para fazer com o que o setor cresça sempre, melhore continuamente. Um intérprete nunca fará isso, até porque não tem habilidade tamanha.
Pra terem idéia da seriedade do assunto, um conhecido meu que trabalhou muito tempo em empresas ligadas a área de mineração, teve que fazer pós graduação fora. Foi gastar o dinheiro que juntou até o momento, para pagar uma pós e um curso de inglês no intuito de ter fluência na língua e obter a sua recolocação no mercado. Pra terem ideia, os interpretes que ficarão no lugar dele - sim, a função dele foi desmembrada em 2 - ligam e mandam email até hoje, para que ele os ajude em determinados procedimentos! E ele só voltará para o Brasil em 8 meses.
Qual é a lógica de negócio disso?! Eu realmente não sei.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Treinamento: O mercado não quer assumir suas responsabilidades...
Pessoal,
Muito se houve falar na imprensa sobre a qualificação profissional precária aqui no Ceará. As empresas relatam que falta "material humano", tendo que se instalarem no Sul, ou contratar pessoas de fora.
Isto pra mim é a maior mentira do mundo. O problema é que as empresas não querem treinar pessoas, novos quadros. Os empresários raramente querem ter algum trabalho na condução do negócio, optando sempre por pessoas com bastante experiência para tocar o seu negócio. E esta realidade contamina toda a empresa, onde o RH- mais uma vez - é o escroto mór.
O RH da minha empresa pede para que façamos treinamentos no setor - isto se deve à política de qualidade da empresa. Meus amigos tocadores, quer dizer, gestores de setor geralmente reunem o pessoal na sala, faz um bate papo e manda todo mundo assinar o documento dizendo que houve um treinamento. Isto é a coisa mais ridícula. E depois o RH, na sala de reuniões, aponta que houve 12 treinamentos ministrados no mês, como se fosse a realidade. Eu e meu diretor sempre batemos palmas quando RH fala isso, ironicamente.
O fato é que treinar gera custos, tanto com as horas gastas para treinar a pessoa, como o período de adaptação onde ocorrem perdas de eficiência por retrabalho. Aliado a isto, tem a volatilidade do mercado, onde uma pessoa bem treinada por uma determinada empresa possa ir para outra, do mesmo segmento. Estas variáveis conjuntamente são o risco da política de treinamento que os diretores não querem nem ver.
Eu faço treinamento com a turma todo mês, com ou sem documento de assinatura do RH. Eu tenho minha própria política de RH - heheheheh. Um funcionário meu tem que saber pelo menos uma função de outro do mesmo setor. Na semana de treinamento eu divido o pessoal em 3 ou 4 turmas, em horários e dias distintos, até para não comprometer o funcionamento da logística. Meus amigos tocadores de setor se impressionam pois o setor não pára, mesmo com funcionários
Nem todo mundo é igual a mim. Recebo muitas críticas neste ponto, por treinar demais as pessoas - na realidade, eles falam "conversar" demais, o que é um absurdo. Meu Diretor não foge à regra, e também não gosta desse meu estilo. Então, a gente nota que isso é cultural, o mercado é desse jeito, quer tudo pronto, na mão.
Pra finalizar, olha o que meu diretor fez. Ele estava atrasado nos treinamentos, segundo o RH. Entao fui eu- Logística - Industrial e Comercial para a "reciclagem". Com ele, 4 pessoas na sala.
Diretor: Pessoal, a imbecil do RH disse que eu sou o único que não realizou treinamento com vocês. Aquele que assina o papel, o pessoal treina assinatura.
Todos nós em coro: HahahahHAHAhaahha!
Diretor: Então aproveitando que ela ta me olhando, vamos ao treinamento...
Nisso ele balançou o papel do treinamento mostrando para Gestora de RH. Ela sorriu e acenou positivamente pra ele. Nisso ele vai na gaveta e puxa uma caixa...
Diretor: Pronto. O treinamento hoje vai ser como jogar 9 cartas, com Preta, Four e Bate.
Todos nós em coro: HAEhahehAEHAEHAEHAEHhaehaeHHAeheaHAEHaehaeHaeh!
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Uma empresa mal das pernas...
Estava com um colega, que me assedia bastante para ir trabalhar com ele. A empresa dele é muito forte no setor, mas infelizmente tem problemas sérios de gestão. E quase todo ano este amigo me chama para trabalhar lá. Eu não vou, porque sei como funciona empresas mal-geridas e, principalmente, comandadas por familiares: muita gente mal qualificada em cargos de chefia, muita espionagem, entreguismo, fechada para novos pensamentos, enfim, uma verdadeira porcaria.
E nesta empresa - que não vou nem revelar o setor, porque todo mundo vai saber de cara - anda mal das pernas faz um tempo. Apesar dela trabalhar produção puxada, utilizar um ERP em sua plenitude, ter controle satisfatório dos estoques em processos e etc, não consegue ter saúde financeira plena. Por que? De duas, uma: ou os donos herdeiros "chupam" literalmente o fluxo de caixa da empresa ou há má gestão comercial. Não existem outros fatores.
O que é "chupar o fluxo de caixa"?!
Propositalmente eu utilizo o termo "chupar" pela conotação imoral subentendida do termo. Simplificadamente, o fluxo de caixa total de um período é o que sobra após o pagamento de todas as despesas de uma empresa. Não necessariamente ele é o lucro líquido, até porque os insumos que compõem o custo dos produtos podem ser parcelados, gerando uma folga de caixa. E o correto seria consumir parte do lucro líquido e não fluxo de caixa. E quando a pessoa "chupa" (Ui!), ela desfalca a empresa nos pagamentos do período seguinte, gerando instabilidade financeira e promovendo aqueles velhos arrochos de despesas e empréstimos (não contrata ninguem, não compra insumos, não paga no prazo fornecedores, recorre as factorings, ou agiotas...).
O que é má gestão comercial?!
O Comercial está ali pra vender, óbvio. Mas poucos são os profissionais de comercial que entendem o que, de fato, é uma boa venda. Simplificadamente, o comercial não prevê vendas, encurta prazos de entrega sem informar o PCP, propõe prazos de pagamento que não contribuem para gestão do ciclo financeiro da empresa e, principalmente, não vive o chão de fábrica(geralmente procuram vender de acordo com a capacidade instalada, nunca pelo indice de eficiência, ou utilização, desta capacidade).
A empresa em questão pode estar sendo desfalcada financeiramente ou má administrada comercialmente. Mesmo que você elimine, ou reduza ao máximo, as 7 perdas do sistema produtivo e trabalhe produção puxada, sem um bom comercial nada fluirá. Todo mundo esquece que a produção puxada inicia-se na previsão de vendas e clientes em carteira, e, contrariamente, "puxa" pelos clientes internos, ou seja, os membros do processo produtivo. O pior problema disso é a oscilação altissima da utilização da capacidade instalada, alternando momentos de pico e calmaria em curtos espaços de tempo. Esta oscilação causa aumento dos insumos produtivos e descompaça o ciclo financeiro.
E isto está acontecendo tanto lá, como em outras fábricas. É uma realidade que ninguém quer enxergar. Este meu colega não enxerga isso, mas eu consigo e pode morrer de me chamar para ir com ele, não vou não!
terça-feira, 28 de julho de 2009
REUNIÕES: EVITE SE QUEIMAR POR NADA...
Há uma prática que persiste nos dias de hoje e que, apesar de nas Faculdades os professores nos orientarem a não fazer, nunca vai mudar: encobrir um erro próprio apontado um erro de outro. Isto realmente me enoja, porque eu tenho fudamentos morais que não me permitem a utilização deste tipo de expediente.
Reunião semana passada. Industrial, Logística, Comercial, Financeiro, RH e Diretoria. Aquela "caralhada de gente", como fala o meu diretor(HeheheHEHE!). Todos ali no intuito de passar a limpo os projetos de melhoria, informes do setor e ações corretivas. Então passei os indicadores que coordeno.
Um cidadão muito conhecido, contratado a peso de ouro para gerir o Industrial da nossa empresa, é do tipo de "apontador de erros" (e confesso: não sabia até esta reunião). Quando os indicadores foram apresentados, tratou de se sair das responsabilidades, emputando a outros setores e pessoas. Até então, como os indicadores da gestão dele oscilavam entre bons a ótimos, nunca tinhamos visto esta faceta dele. Respingou em mim e no Comercial muito de seus ataques. Talvez ele achasse que a nossa empresa utilizava dos mesmos métodos de convencimento que ele viu durante toda sua caminhada profissional. Eu(Logística) e Comercial ficamos estupefatos com todo aquele festival de erros maiores nossos mostrados por ele, na tentativa inócua de eximir-se da culpa mostrada pelos seus indicadores.
Porém ele não conhecia a personalidade do nosso Diretor. E vendo que ele insistia na tese de que Comercial e Logística eram responsáveis pelos problemas do Industrial - já que ele só falava da gente - o diretor começou um diálogo bastante "sutil e amigável".
Diretor: Então, deixe-me entender. O Industrial está subordinado a Logística e Comercial?!
Industrial: Não é bem isso que o senhor está entendendo. O que quero lhe dizer é que...
Diretor: Quer dizer que eu não estou entendendo nada?! Quer dizer, então, que o senhor acha que eu sou um babaca?
Industrial: ...
Diretor: Fulana, né não?! Eu só posso ser um babaca, um idiota. Porque eu comando esta empresa e não sabia que o Industrial era subordinado a Logística e Comercial.
Industrial: Mas o senhor está minimizando os fatos. O problema é....
Diretor: Minimizando os fatos?! Eu?! Você vem com essa conversa fiada e ridícula de encobrir seus erros apontados os de outros e acha que eu vou ficar calado?! Você está falando de Logística e Comercial, eu só posso achar que as suas ações advém dos interesses destes setores. Logo, você está subordinado a eles. E isto não existe aqui.
Industrial: ...
Diretor: Olhe, você é um grande profissional. Foi contratado e ninguem aqui se arrependeu disso. Agora que está por baixo, não venha com este discurso, porque aqui ninguem é minimo. Os problemas apontados aqui são seus. E leve pro resto da sua vida: aqui, nesta empresa, com este seu discursinho de merda você não vai a lugar nenhum!
(O Diretor tem problemas sérios de tratamento com as pessoas, por ser geralmente duro e grosseiro. Porém quem o conhece sabe que esta personalidade advém de experiências terríveis dentro da empresa: gestores que fraldavam indicadores, contadores ladrões, roubos, quebras e perdas... Enfim, esta visão de negócio que ele tem é espelhada numa carreira profissional de quase 20 anos, em meio a problemas desta natureza. Por outro lado, ele é capaz de gestos generosos também - como o que expus nos 2 posts anteriores.)
O cidadão do Industrial saiu de cabeça baixa, arrasado. Talvez este discurso dele seja recorrente em outros lugares, mas aqui na empresa não voga. Não se admite empurra-empurra de responsabilidades. Até porque este Diretor grosseiro viu que, com pessoas deste naipe, a empresa quase faliu um dia, pois não tinha um rumo certo para solução de problemas fundamentais e sim gestores guerreando entre si.
De qualquer forma a ação mais correta seria eu ir lá e falar com ele sobre o ocorrido. Mas não fui, pois não me interessa conviver harmonicamente com cidadãos desta natureza: pequenos e virulentos. Acho que todas as empresas deviam se desfazer com urgência deste tipo de profissional. Por mais que ele seja bom, precisa-se sempre de articulação entre setores e buscar soluções, não problemas. Com o péssimo desempenho na sala de reuniões - parece programa do Justus, hehehe! - ele poderá vir a deixar a empresa. Deus queira!