Pessoal,
Estava com um colega, que me assedia bastante para ir trabalhar com ele. A empresa dele é muito forte no setor, mas infelizmente tem problemas sérios de gestão. E quase todo ano este amigo me chama para trabalhar lá. Eu não vou, porque sei como funciona empresas mal-geridas e, principalmente, comandadas por familiares: muita gente mal qualificada em cargos de chefia, muita espionagem, entreguismo, fechada para novos pensamentos, enfim, uma verdadeira porcaria.
E nesta empresa - que não vou nem revelar o setor, porque todo mundo vai saber de cara - anda mal das pernas faz um tempo. Apesar dela trabalhar produção puxada, utilizar um ERP em sua plenitude, ter controle satisfatório dos estoques em processos e etc, não consegue ter saúde financeira plena. Por que? De duas, uma: ou os donos herdeiros "chupam" literalmente o fluxo de caixa da empresa ou há má gestão comercial. Não existem outros fatores.
O que é "chupar o fluxo de caixa"?!
Propositalmente eu utilizo o termo "chupar" pela conotação imoral subentendida do termo. Simplificadamente, o fluxo de caixa total de um período é o que sobra após o pagamento de todas as despesas de uma empresa. Não necessariamente ele é o lucro líquido, até porque os insumos que compõem o custo dos produtos podem ser parcelados, gerando uma folga de caixa. E o correto seria consumir parte do lucro líquido e não fluxo de caixa. E quando a pessoa "chupa" (Ui!), ela desfalca a empresa nos pagamentos do período seguinte, gerando instabilidade financeira e promovendo aqueles velhos arrochos de despesas e empréstimos (não contrata ninguem, não compra insumos, não paga no prazo fornecedores, recorre as factorings, ou agiotas...).
O que é má gestão comercial?!
O Comercial está ali pra vender, óbvio. Mas poucos são os profissionais de comercial que entendem o que, de fato, é uma boa venda. Simplificadamente, o comercial não prevê vendas, encurta prazos de entrega sem informar o PCP, propõe prazos de pagamento que não contribuem para gestão do ciclo financeiro da empresa e, principalmente, não vive o chão de fábrica(geralmente procuram vender de acordo com a capacidade instalada, nunca pelo indice de eficiência, ou utilização, desta capacidade).
A empresa em questão pode estar sendo desfalcada financeiramente ou má administrada comercialmente. Mesmo que você elimine, ou reduza ao máximo, as 7 perdas do sistema produtivo e trabalhe produção puxada, sem um bom comercial nada fluirá. Todo mundo esquece que a produção puxada inicia-se na previsão de vendas e clientes em carteira, e, contrariamente, "puxa" pelos clientes internos, ou seja, os membros do processo produtivo. O pior problema disso é a oscilação altissima da utilização da capacidade instalada, alternando momentos de pico e calmaria em curtos espaços de tempo. Esta oscilação causa aumento dos insumos produtivos e descompaça o ciclo financeiro.
E isto está acontecendo tanto lá, como em outras fábricas. É uma realidade que ninguém quer enxergar. Este meu colega não enxerga isso, mas eu consigo e pode morrer de me chamar para ir com ele, não vou não!
quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
REUNIÕES: EVITE SE QUEIMAR POR NADA...
Pessoal,
Há uma prática que persiste nos dias de hoje e que, apesar de nas Faculdades os professores nos orientarem a não fazer, nunca vai mudar: encobrir um erro próprio apontado um erro de outro. Isto realmente me enoja, porque eu tenho fudamentos morais que não me permitem a utilização deste tipo de expediente.
Reunião semana passada. Industrial, Logística, Comercial, Financeiro, RH e Diretoria. Aquela "caralhada de gente", como fala o meu diretor(HeheheHEHE!). Todos ali no intuito de passar a limpo os projetos de melhoria, informes do setor e ações corretivas. Então passei os indicadores que coordeno.
Um cidadão muito conhecido, contratado a peso de ouro para gerir o Industrial da nossa empresa, é do tipo de "apontador de erros" (e confesso: não sabia até esta reunião). Quando os indicadores foram apresentados, tratou de se sair das responsabilidades, emputando a outros setores e pessoas. Até então, como os indicadores da gestão dele oscilavam entre bons a ótimos, nunca tinhamos visto esta faceta dele. Respingou em mim e no Comercial muito de seus ataques. Talvez ele achasse que a nossa empresa utilizava dos mesmos métodos de convencimento que ele viu durante toda sua caminhada profissional. Eu(Logística) e Comercial ficamos estupefatos com todo aquele festival de erros maiores nossos mostrados por ele, na tentativa inócua de eximir-se da culpa mostrada pelos seus indicadores.
Porém ele não conhecia a personalidade do nosso Diretor. E vendo que ele insistia na tese de que Comercial e Logística eram responsáveis pelos problemas do Industrial - já que ele só falava da gente - o diretor começou um diálogo bastante "sutil e amigável".
Diretor: Então, deixe-me entender. O Industrial está subordinado a Logística e Comercial?!
Industrial: Não é bem isso que o senhor está entendendo. O que quero lhe dizer é que...
Diretor: Quer dizer que eu não estou entendendo nada?! Quer dizer, então, que o senhor acha que eu sou um babaca?
Industrial: ...
Diretor: Fulana, né não?! Eu só posso ser um babaca, um idiota. Porque eu comando esta empresa e não sabia que o Industrial era subordinado a Logística e Comercial.
Industrial: Mas o senhor está minimizando os fatos. O problema é....
Diretor: Minimizando os fatos?! Eu?! Você vem com essa conversa fiada e ridícula de encobrir seus erros apontados os de outros e acha que eu vou ficar calado?! Você está falando de Logística e Comercial, eu só posso achar que as suas ações advém dos interesses destes setores. Logo, você está subordinado a eles. E isto não existe aqui.
Industrial: ...
Diretor: Olhe, você é um grande profissional. Foi contratado e ninguem aqui se arrependeu disso. Agora que está por baixo, não venha com este discurso, porque aqui ninguem é minimo. Os problemas apontados aqui são seus. E leve pro resto da sua vida: aqui, nesta empresa, com este seu discursinho de merda você não vai a lugar nenhum!
(O Diretor tem problemas sérios de tratamento com as pessoas, por ser geralmente duro e grosseiro. Porém quem o conhece sabe que esta personalidade advém de experiências terríveis dentro da empresa: gestores que fraldavam indicadores, contadores ladrões, roubos, quebras e perdas... Enfim, esta visão de negócio que ele tem é espelhada numa carreira profissional de quase 20 anos, em meio a problemas desta natureza. Por outro lado, ele é capaz de gestos generosos também - como o que expus nos 2 posts anteriores.)
O cidadão do Industrial saiu de cabeça baixa, arrasado. Talvez este discurso dele seja recorrente em outros lugares, mas aqui na empresa não voga. Não se admite empurra-empurra de responsabilidades. Até porque este Diretor grosseiro viu que, com pessoas deste naipe, a empresa quase faliu um dia, pois não tinha um rumo certo para solução de problemas fundamentais e sim gestores guerreando entre si.
De qualquer forma a ação mais correta seria eu ir lá e falar com ele sobre o ocorrido. Mas não fui, pois não me interessa conviver harmonicamente com cidadãos desta natureza: pequenos e virulentos. Acho que todas as empresas deviam se desfazer com urgência deste tipo de profissional. Por mais que ele seja bom, precisa-se sempre de articulação entre setores e buscar soluções, não problemas. Com o péssimo desempenho na sala de reuniões - parece programa do Justus, hehehe! - ele poderá vir a deixar a empresa. Deus queira!
Há uma prática que persiste nos dias de hoje e que, apesar de nas Faculdades os professores nos orientarem a não fazer, nunca vai mudar: encobrir um erro próprio apontado um erro de outro. Isto realmente me enoja, porque eu tenho fudamentos morais que não me permitem a utilização deste tipo de expediente.
Reunião semana passada. Industrial, Logística, Comercial, Financeiro, RH e Diretoria. Aquela "caralhada de gente", como fala o meu diretor(HeheheHEHE!). Todos ali no intuito de passar a limpo os projetos de melhoria, informes do setor e ações corretivas. Então passei os indicadores que coordeno.
Um cidadão muito conhecido, contratado a peso de ouro para gerir o Industrial da nossa empresa, é do tipo de "apontador de erros" (e confesso: não sabia até esta reunião). Quando os indicadores foram apresentados, tratou de se sair das responsabilidades, emputando a outros setores e pessoas. Até então, como os indicadores da gestão dele oscilavam entre bons a ótimos, nunca tinhamos visto esta faceta dele. Respingou em mim e no Comercial muito de seus ataques. Talvez ele achasse que a nossa empresa utilizava dos mesmos métodos de convencimento que ele viu durante toda sua caminhada profissional. Eu(Logística) e Comercial ficamos estupefatos com todo aquele festival de erros maiores nossos mostrados por ele, na tentativa inócua de eximir-se da culpa mostrada pelos seus indicadores.
Porém ele não conhecia a personalidade do nosso Diretor. E vendo que ele insistia na tese de que Comercial e Logística eram responsáveis pelos problemas do Industrial - já que ele só falava da gente - o diretor começou um diálogo bastante "sutil e amigável".
Diretor: Então, deixe-me entender. O Industrial está subordinado a Logística e Comercial?!
Industrial: Não é bem isso que o senhor está entendendo. O que quero lhe dizer é que...
Diretor: Quer dizer que eu não estou entendendo nada?! Quer dizer, então, que o senhor acha que eu sou um babaca?
Industrial: ...
Diretor: Fulana, né não?! Eu só posso ser um babaca, um idiota. Porque eu comando esta empresa e não sabia que o Industrial era subordinado a Logística e Comercial.
Industrial: Mas o senhor está minimizando os fatos. O problema é....
Diretor: Minimizando os fatos?! Eu?! Você vem com essa conversa fiada e ridícula de encobrir seus erros apontados os de outros e acha que eu vou ficar calado?! Você está falando de Logística e Comercial, eu só posso achar que as suas ações advém dos interesses destes setores. Logo, você está subordinado a eles. E isto não existe aqui.
Industrial: ...
Diretor: Olhe, você é um grande profissional. Foi contratado e ninguem aqui se arrependeu disso. Agora que está por baixo, não venha com este discurso, porque aqui ninguem é minimo. Os problemas apontados aqui são seus. E leve pro resto da sua vida: aqui, nesta empresa, com este seu discursinho de merda você não vai a lugar nenhum!
(O Diretor tem problemas sérios de tratamento com as pessoas, por ser geralmente duro e grosseiro. Porém quem o conhece sabe que esta personalidade advém de experiências terríveis dentro da empresa: gestores que fraldavam indicadores, contadores ladrões, roubos, quebras e perdas... Enfim, esta visão de negócio que ele tem é espelhada numa carreira profissional de quase 20 anos, em meio a problemas desta natureza. Por outro lado, ele é capaz de gestos generosos também - como o que expus nos 2 posts anteriores.)
O cidadão do Industrial saiu de cabeça baixa, arrasado. Talvez este discurso dele seja recorrente em outros lugares, mas aqui na empresa não voga. Não se admite empurra-empurra de responsabilidades. Até porque este Diretor grosseiro viu que, com pessoas deste naipe, a empresa quase faliu um dia, pois não tinha um rumo certo para solução de problemas fundamentais e sim gestores guerreando entre si.
De qualquer forma a ação mais correta seria eu ir lá e falar com ele sobre o ocorrido. Mas não fui, pois não me interessa conviver harmonicamente com cidadãos desta natureza: pequenos e virulentos. Acho que todas as empresas deviam se desfazer com urgência deste tipo de profissional. Por mais que ele seja bom, precisa-se sempre de articulação entre setores e buscar soluções, não problemas. Com o péssimo desempenho na sala de reuniões - parece programa do Justus, hehehe! - ele poderá vir a deixar a empresa. Deus queira!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
RH - Claro que ia acontecer comigo também. PARTE 2
Pessoal,
Assim estive todos estes dias ausentes. Lutando pelo Talento e pelo meu emprego. Para mim, virou questão de honra. Não é somente o gesto de ajudar uma pessoa, mas meus princípios estavam em jogo. Me ajudaram uma vez, eu também teria que repetir o feito. Um talento muda a face de um negócio - algo que eu também tenho como lei, eu teri,a então, que ajudá-lo.
Expliquei toda a situação para Beltrano logo que ele terminou os ritos iniciais do RH. Fui muito direto. Ele ficou sabendo o que eu havia arriscado - fato falado no post PARTE 1 - no que estavamos envolvidos e que teriamos que prover ações rápidas. Senti que ele ficou muito empolgado com o meu gesto e, de certa forma, com medo. Tranquilizei-o. Eu estaria lá com ele, não deixaria ele se queimar.
O Talento é algo realmente interessante de se ver. Tem pessoas cujo talento aflora com a inteligência, outras com o trabalho árduo de horas, outras com o mix dos dois. Ele é o mix. Oscila entre os dois extremos. Para mostrar esta capacidade dele, precisava de um projeto, cujo o tempo de entrega ele conseguisse reduzir sobremaneira, com o resultado acima da média. Eu tinha um projeto de melhoria na área, passei pra ele e fiquei supervisionando.
O projeto engana em sua complexidade. A priori, parece ser bastante simples, mas pode tomar uma dimensão incrível, precisando de certo controle na concepção.
A melhoria é muito simples: reduzir a frota de caminhões, matendo o mesmo nível de serviço. Pela minha experiência, poderiamos reduzir até 10% da frota, o problema era saber como. Este projeto para alguém comum demoraria coisa de 45 dias para ser feito. Eu demoraria uns 15 dias para fazer, meu diretor também faria em igual período. Beltrano precisaria fazer mais rápido.
Beltrano caiu em campo. Entrava as 7hs e saía as 21hs. E eu acompanhando. (Não vou pormenorizar a solução que ele encontrou, até por questão estratégica). Nessa loucura de coleta de dados, análise, roteirizações, novos investimentos, produção x vendas, chegou no 8º dia de trabalho e eu o vi titubear. O cara chorou, achava que iriamos perder o emprego. Não tinha como, até este dia, uma solução plausível, que reunisse mudanças mínimas e poucos investimentos.
Beltrano: Cara, tá osso...eu não tô enxergando solução. Vamos nos dar mal...
Eu: Relaxa, vai dar tudo certo! Talvez você esteja olhando pro lado errado. Você está investindo muito em roteirização, talvez o problema não seja este. Nossa demanda oscila muito, precisamos ter caminhões esperando para atender estes picos...
Beltrano: Picos?! É isso aí, picos...cara, tive uma idéia
Eu: Pois nem me conte, vou pra casa, já são 20hs...
Beltrano: Tá certo...
Picos. "O que diabos ele entendeu com picos?!" Foi isso que me perguntei indo para casa. Na realidade esse pessoal resolve às vezes as coisas num estalo. Talvez tenha acontecido isto. Esperei pelo outro dia, alguma resposta poderia surgir daquela conversa...
Cheguei no outro dia. O projeto tava concluído, na mesa, com um bilhete: "Saí as 2hs da manhã. O projeto tá feito. Vou chegar as 9hs." E estava concluído sim. Toda a folha de cálculos, fatores de segurança, tudo atendendo as conformidades que eu exigia. Fiquei besta com a solução do cara. Não era uma coisa genial, mas nitidamente advinha do talento e do trabalho duro que ele teve nos 8 dias. Tive o impulso de correr pro diretor e mostrar, ou jogar nos peito da Gestora de RH (heheheheh, se bem que ela não entenderia), mas fui ler.
Muito simples. A frota realmente era superdimensionada, já que ninguem teve tempo, ou capacidade técnica, para entender os "picos" de demanda. A oscilação poderia ser diminuida caso combinasse uma roteirização mais eficaz(calculos), estreitamento com os clientes(politica de vendas) e aumentasse o índice de utilização dos caminhões, usando a máxima capacidade permitida. Lógico. Mas o problema que no pico ia faltar caminhões. Daí surge o Talento: o nosso prazo de entrega era bem menor que a concorrência, na média, e se aumentássemos um pouco o prazo, não afetaria o nosso nível de serviço.(To omitindo os dados, questão de estrategia né). Ele calculou, e dava sim, com as margens de segurança que eu estabeleci.
Talento. Parece óbvio a solução, mas não é. Imagine você tendo mais de 40 dados e tendo que escolher um deles, que realmente modificasse algo?! Talento meus amigos, talento....
Quando ele chegou, eu disse pra ele fazer uma apresentação para Diretoria. Claro que ele já tinha feito. Marquei com o Diretor, ele mostrou tudo, pormenorizado. Houve algumas dúvidas sanadas na hora e a concepção estava completa. Ele ainda escutou um elogio do Diretor:
Cicrano: Puta que pariu, vai enxergar assim lá na casa do caralho...
Beltrano: Obrigado, Dr. Cicrano.
Cicrano: Vá, vá...quero falar com Fulano.
Eu ri muito. Mistura de alívio, satisfação, prazer, sentimento de serviço cumprido, tudo junto. E o Diretor me deu os parabens, atingiriamos 10% da redução de frota, pelo projeto conceitual. Daí escutei umas coisas do Diretor. Ele falou que ficou muito tocado com o meu gesto e com a segurança que eu tinha no Beltrano. Enfatizou o trabalho em equipe, porque Beltrano não conseguiria fazer tudo aquilo sozinho, sem dados seguros e alguém com experiência no segmento.
Provei para mim e para todos da empresa que eu estava correto, que ele era pra ser contratado, um Talento precisa ser sempre estimulado. Agora vocês imaginam a fogueira de vaidades acendida. Meu Diretor me alertou para a rebordosa. Ninguém, depois de um grande desafio como esse e um triunfo, onde Diretoria foi envolida e RH ferido( Ui!), sairá ileso. Estou aguardando.
Assim estive todos estes dias ausentes. Lutando pelo Talento e pelo meu emprego. Para mim, virou questão de honra. Não é somente o gesto de ajudar uma pessoa, mas meus princípios estavam em jogo. Me ajudaram uma vez, eu também teria que repetir o feito. Um talento muda a face de um negócio - algo que eu também tenho como lei, eu teri,a então, que ajudá-lo.
Expliquei toda a situação para Beltrano logo que ele terminou os ritos iniciais do RH. Fui muito direto. Ele ficou sabendo o que eu havia arriscado - fato falado no post PARTE 1 - no que estavamos envolvidos e que teriamos que prover ações rápidas. Senti que ele ficou muito empolgado com o meu gesto e, de certa forma, com medo. Tranquilizei-o. Eu estaria lá com ele, não deixaria ele se queimar.
O Talento é algo realmente interessante de se ver. Tem pessoas cujo talento aflora com a inteligência, outras com o trabalho árduo de horas, outras com o mix dos dois. Ele é o mix. Oscila entre os dois extremos. Para mostrar esta capacidade dele, precisava de um projeto, cujo o tempo de entrega ele conseguisse reduzir sobremaneira, com o resultado acima da média. Eu tinha um projeto de melhoria na área, passei pra ele e fiquei supervisionando.
O projeto engana em sua complexidade. A priori, parece ser bastante simples, mas pode tomar uma dimensão incrível, precisando de certo controle na concepção.
A melhoria é muito simples: reduzir a frota de caminhões, matendo o mesmo nível de serviço. Pela minha experiência, poderiamos reduzir até 10% da frota, o problema era saber como. Este projeto para alguém comum demoraria coisa de 45 dias para ser feito. Eu demoraria uns 15 dias para fazer, meu diretor também faria em igual período. Beltrano precisaria fazer mais rápido.
Beltrano caiu em campo. Entrava as 7hs e saía as 21hs. E eu acompanhando. (Não vou pormenorizar a solução que ele encontrou, até por questão estratégica). Nessa loucura de coleta de dados, análise, roteirizações, novos investimentos, produção x vendas, chegou no 8º dia de trabalho e eu o vi titubear. O cara chorou, achava que iriamos perder o emprego. Não tinha como, até este dia, uma solução plausível, que reunisse mudanças mínimas e poucos investimentos.
Beltrano: Cara, tá osso...eu não tô enxergando solução. Vamos nos dar mal...
Eu: Relaxa, vai dar tudo certo! Talvez você esteja olhando pro lado errado. Você está investindo muito em roteirização, talvez o problema não seja este. Nossa demanda oscila muito, precisamos ter caminhões esperando para atender estes picos...
Beltrano: Picos?! É isso aí, picos...cara, tive uma idéia
Eu: Pois nem me conte, vou pra casa, já são 20hs...
Beltrano: Tá certo...
Picos. "O que diabos ele entendeu com picos?!" Foi isso que me perguntei indo para casa. Na realidade esse pessoal resolve às vezes as coisas num estalo. Talvez tenha acontecido isto. Esperei pelo outro dia, alguma resposta poderia surgir daquela conversa...
Cheguei no outro dia. O projeto tava concluído, na mesa, com um bilhete: "Saí as 2hs da manhã. O projeto tá feito. Vou chegar as 9hs." E estava concluído sim. Toda a folha de cálculos, fatores de segurança, tudo atendendo as conformidades que eu exigia. Fiquei besta com a solução do cara. Não era uma coisa genial, mas nitidamente advinha do talento e do trabalho duro que ele teve nos 8 dias. Tive o impulso de correr pro diretor e mostrar, ou jogar nos peito da Gestora de RH (heheheheh, se bem que ela não entenderia), mas fui ler.
Muito simples. A frota realmente era superdimensionada, já que ninguem teve tempo, ou capacidade técnica, para entender os "picos" de demanda. A oscilação poderia ser diminuida caso combinasse uma roteirização mais eficaz(calculos), estreitamento com os clientes(politica de vendas) e aumentasse o índice de utilização dos caminhões, usando a máxima capacidade permitida. Lógico. Mas o problema que no pico ia faltar caminhões. Daí surge o Talento: o nosso prazo de entrega era bem menor que a concorrência, na média, e se aumentássemos um pouco o prazo, não afetaria o nosso nível de serviço.(To omitindo os dados, questão de estrategia né). Ele calculou, e dava sim, com as margens de segurança que eu estabeleci.
Talento. Parece óbvio a solução, mas não é. Imagine você tendo mais de 40 dados e tendo que escolher um deles, que realmente modificasse algo?! Talento meus amigos, talento....
Quando ele chegou, eu disse pra ele fazer uma apresentação para Diretoria. Claro que ele já tinha feito. Marquei com o Diretor, ele mostrou tudo, pormenorizado. Houve algumas dúvidas sanadas na hora e a concepção estava completa. Ele ainda escutou um elogio do Diretor:
Cicrano: Puta que pariu, vai enxergar assim lá na casa do caralho...
Beltrano: Obrigado, Dr. Cicrano.
Cicrano: Vá, vá...quero falar com Fulano.
Eu ri muito. Mistura de alívio, satisfação, prazer, sentimento de serviço cumprido, tudo junto. E o Diretor me deu os parabens, atingiriamos 10% da redução de frota, pelo projeto conceitual. Daí escutei umas coisas do Diretor. Ele falou que ficou muito tocado com o meu gesto e com a segurança que eu tinha no Beltrano. Enfatizou o trabalho em equipe, porque Beltrano não conseguiria fazer tudo aquilo sozinho, sem dados seguros e alguém com experiência no segmento.
Provei para mim e para todos da empresa que eu estava correto, que ele era pra ser contratado, um Talento precisa ser sempre estimulado. Agora vocês imaginam a fogueira de vaidades acendida. Meu Diretor me alertou para a rebordosa. Ninguém, depois de um grande desafio como esse e um triunfo, onde Diretoria foi envolida e RH ferido( Ui!), sairá ileso. Estou aguardando.
RH - Claro que ia acontecer comigo também. PARTE 1
Pessoal,
No mês de junho escrevi aqui no blog (http://gestaoeacao.blogspot.com/2009/06/rh-e-o-desemprego.html) sobre o tempo que passei desempregado e como consegui entrar no mercado, graças a sorte e ajuda de um grande amigo. Pois bem, esta semana chegou a minha vez de fazer o mesmo gesto, com outra pessoa, mas amigo também.
Surgiu uma vaga para Supervisor de Transportes(este cara é responsável pela distribuição de produtos) na empresa. Eu indiquei um líder de turno para ocupar o posto - seguindo meus princípios de meritocracia - mas infelizmente o colaborador pisou feio na bola e teve que ser desligado da empresa.
Fui direto para minha agenda procurar pessoas com o perfil para assumir e pedir que participassem do processo seletivo. Todos que vi estavam bem em seus empregos e não quiseram se arriscar. O RH me passou também que estava dificil juntar uma turma para fazer o processo seletivo.
Numa dessas coincidências do destino - SORTE - encontrei um velho conhecido na fila do cinema, falei sobre a minha busca. Papo vai, papo vem...
Eu: Pois é, tá fogo....
Conhecido: Maxu, Beltrano tá desempregado faz tempo...
Eu: Mentira!!! Mas a área dele é logística interna, expedição.... Cara, ele é talentoso, já trabalhei com ele.
Conhecido: Toma o cel dele, liga pra ele...
Eu: Vou ligar agora...
Liguei. Conversamos. Expliquei que ele deveria mandar o curriculum, aguardar a seleção. Dei "Boa Sorte" e disse que faria de tudo pra ele trabalhar comigo, pelo seu Talento e porque já tinha passado por situação semelhante.
Como expliquei em posts passados: com pessoas talentosas não tem conversa, contrata e pronto.
(A partir de agora os relatos foram testemunhados pelo Beltrano e me passado, juntei com a versão RH, Diretoria e a minha)
Conseguiu-se juntar 4 pessoas para o processo seletivo. Segundo Beltrano, eles tomaram um chá de cadeira de 1h e, quando a Analista foi ao encontro deles para a seleção, tinha levado os livrinhos do Quati, o Teste do Detran (aquele com a setinha preta, branca, para você marcar) e papel em branco. Começaram a entrevista.
Cada um deles falou das experiências. Beltrano disse que a experiência dele é mais com logística interna, expedição e que seu contato com distribuição física era pequeno, mas que de qualquer forma estava apto para o serviço. Os outros falaram coisas semelhantes. Porém veio a tona o tempo de desemprego. Incluindo Beltrano, outro também estava a bastante tempo desempregado. E falaram a coisa pior do mundo, que iam para entrevistas mas as vagas propostas eram aquem das expectativas deles, ou seja, muita responsabilidade e pouco salário.
Meu amigo, fale isso pro seu chefe setorial, menos para o RH. Se vocês não sabem, a lista de responsabilidades, caracteristicas, escolaridade e salários de um funcionário é feito pelo RH, ou pelo menos capitaneado. Isso que eles falaram foi o mesmo que dá uma mãozada nos peito da Analista, e de toda a classe de colaboradoras de RH. HEheHEheheh! Daí um fato curioso: ele me disse que após esta conversa a analista falou algo irônico, como se tivesse vaga demais para candidato de menos e então só passou para eles o Teste do Detran, nem rolou Quati e muito menos papel em branco(que presumo, seria para a Redação). Disse que entraria em contato com eles, e que ligaria para dizer o resultado. No dia seguinte ligaram para os candidatos e ninguém passou. O cara me ligou quase chorando, fiquei com dó.
Daí eu caí em campo. Pelo indício de injustiça - havia uma probabilidade muito grande dela ter desistido do teste, depois da entrevista. Isso acontece, quando os candidatos realmente não são bons. Mas eu não ia engolir isso assim, a seco. Fui ter com o RH. Lá na firma a turma do setor de RH me odeia, porque sou chato(hehehe).
Após recebimento do email comunicando que o processo não tinha vogado( é o noooovo!), fui lá no RH. A nova gestora me falou que os candidatos haviam "desdenhado" da oportunidade e que não seguiu em frente. Ora, as duas versões são conflitantes. Beltrano falou uma grande verdade - responsabilidade demais, salário de menos - não se referindo a proposta da nossa empresa, mas sim a outras entrevistas. Ele não sabia nem o salário que iria ganhar. Como ele poderia estar desdenhando?!
Eu: Mariazinha, não aceito este seu argumento não...
Mariazinha: Por que? Essas pessoas nos trariam problemas mais tarde.
Eu: Mariazinha, EU - Fulano de Tal - não aceito em hipótese alguma estes seus argumentos...
Mariazinha: Essa é a posição do RH, você está se metendo em algo que não lhe compete.
Eu: Olha, você acabou de deixar escapar um Talento, e vocês que deveriam identificar, trazer e preservar estes Talentos estão realizando muito mal o serviço. Você lembra o Beltrano?!
Mariazinha: Um abusado...
Eu: Abusado?! Aqui não tem diálogo. Você não fez o teste até o fim e pode ter disperdiçado um grande talento. E com você eu não converso mais.
Bati a porta, com ódio em meus olhos(hehehehehe!!!). Liguei direto pro Diretor, porque quando a coisa fica ruim entre setores, eu recorro logo ao meu superior, que me resolve muita coisa.
Eu: Dr. Cicrano, preciso da ajuda do senhor...
Cicrano: Fala...
Eu: Acabei de perder um talento pro RH. O senhor se lembra daquele historia que eu havia lhe contado, que passei tempo desempregado e consegui um emprego graças a ajuda de...
Cicrano: Sim, homem. Eu lembro. Deixe de conversa fiada, você quer o homem, então vai ter. Agora lhe digo uma coisa, que esse talento aflore logo, porque caso contrário sua cabeça vai rolar. Eu não vou me desgastar com outra diretoria por pouca coisa não.
Eu: Ok. Muito obrigado, o nome dele é Beltrano de..
Cicrano: Sou eu que vou ligar chamando ele?! Passe o nome pro RH, ligue para ele e mande conversar comigo...
Daí ele desligou. Ele sempre é essa flor de pessoa. Um homem bom, mas embrutecido pelas circustâncias da vida. Ele é um homem de palavra e quando disse que minha cabeça iria rolar caso desse tudo errado, ele não blefava. Eu havia arriscado meu emprego por uma pessoa que, digamos, não valeria tamanho investimento. Mas a vida ensina, prezados. Eu tinha que ajudá-lo sim, custe o que custar, do mesmo jeito que um amigo me ajudou um dia. Alguém fez por mim, chegou a minha hora de fazer o mesmo.
Foi uma confusão. Até choro teve. Eu tive que assumir perante os diretores um compromisso de que eu estava fazendo a opção correta e assumia todos os riscos. Assumi todos, Beltrano entrou na empresa após conversa com a Diretoria. Em toda a minha vida, foi a 1a vez que arrisquei algo assim. Fui a luta com o Beltrano, pelo Talento dele e pelo meu emprego.
No mês de junho escrevi aqui no blog (http://gestaoeacao.blogspot.com/2009/06/rh-e-o-desemprego.html) sobre o tempo que passei desempregado e como consegui entrar no mercado, graças a sorte e ajuda de um grande amigo. Pois bem, esta semana chegou a minha vez de fazer o mesmo gesto, com outra pessoa, mas amigo também.
Surgiu uma vaga para Supervisor de Transportes(este cara é responsável pela distribuição de produtos) na empresa. Eu indiquei um líder de turno para ocupar o posto - seguindo meus princípios de meritocracia - mas infelizmente o colaborador pisou feio na bola e teve que ser desligado da empresa.
Fui direto para minha agenda procurar pessoas com o perfil para assumir e pedir que participassem do processo seletivo. Todos que vi estavam bem em seus empregos e não quiseram se arriscar. O RH me passou também que estava dificil juntar uma turma para fazer o processo seletivo.
Numa dessas coincidências do destino - SORTE - encontrei um velho conhecido na fila do cinema, falei sobre a minha busca. Papo vai, papo vem...
Eu: Pois é, tá fogo....
Conhecido: Maxu, Beltrano tá desempregado faz tempo...
Eu: Mentira!!! Mas a área dele é logística interna, expedição.... Cara, ele é talentoso, já trabalhei com ele.
Conhecido: Toma o cel dele, liga pra ele...
Eu: Vou ligar agora...
Liguei. Conversamos. Expliquei que ele deveria mandar o curriculum, aguardar a seleção. Dei "Boa Sorte" e disse que faria de tudo pra ele trabalhar comigo, pelo seu Talento e porque já tinha passado por situação semelhante.
Como expliquei em posts passados: com pessoas talentosas não tem conversa, contrata e pronto.
(A partir de agora os relatos foram testemunhados pelo Beltrano e me passado, juntei com a versão RH, Diretoria e a minha)
Conseguiu-se juntar 4 pessoas para o processo seletivo. Segundo Beltrano, eles tomaram um chá de cadeira de 1h e, quando a Analista foi ao encontro deles para a seleção, tinha levado os livrinhos do Quati, o Teste do Detran (aquele com a setinha preta, branca, para você marcar) e papel em branco. Começaram a entrevista.
Cada um deles falou das experiências. Beltrano disse que a experiência dele é mais com logística interna, expedição e que seu contato com distribuição física era pequeno, mas que de qualquer forma estava apto para o serviço. Os outros falaram coisas semelhantes. Porém veio a tona o tempo de desemprego. Incluindo Beltrano, outro também estava a bastante tempo desempregado. E falaram a coisa pior do mundo, que iam para entrevistas mas as vagas propostas eram aquem das expectativas deles, ou seja, muita responsabilidade e pouco salário.
Meu amigo, fale isso pro seu chefe setorial, menos para o RH. Se vocês não sabem, a lista de responsabilidades, caracteristicas, escolaridade e salários de um funcionário é feito pelo RH, ou pelo menos capitaneado. Isso que eles falaram foi o mesmo que dá uma mãozada nos peito da Analista, e de toda a classe de colaboradoras de RH. HEheHEheheh! Daí um fato curioso: ele me disse que após esta conversa a analista falou algo irônico, como se tivesse vaga demais para candidato de menos e então só passou para eles o Teste do Detran, nem rolou Quati e muito menos papel em branco(que presumo, seria para a Redação). Disse que entraria em contato com eles, e que ligaria para dizer o resultado. No dia seguinte ligaram para os candidatos e ninguém passou. O cara me ligou quase chorando, fiquei com dó.
Daí eu caí em campo. Pelo indício de injustiça - havia uma probabilidade muito grande dela ter desistido do teste, depois da entrevista. Isso acontece, quando os candidatos realmente não são bons. Mas eu não ia engolir isso assim, a seco. Fui ter com o RH. Lá na firma a turma do setor de RH me odeia, porque sou chato(hehehe).
Após recebimento do email comunicando que o processo não tinha vogado( é o noooovo!), fui lá no RH. A nova gestora me falou que os candidatos haviam "desdenhado" da oportunidade e que não seguiu em frente. Ora, as duas versões são conflitantes. Beltrano falou uma grande verdade - responsabilidade demais, salário de menos - não se referindo a proposta da nossa empresa, mas sim a outras entrevistas. Ele não sabia nem o salário que iria ganhar. Como ele poderia estar desdenhando?!
Eu: Mariazinha, não aceito este seu argumento não...
Mariazinha: Por que? Essas pessoas nos trariam problemas mais tarde.
Eu: Mariazinha, EU - Fulano de Tal - não aceito em hipótese alguma estes seus argumentos...
Mariazinha: Essa é a posição do RH, você está se metendo em algo que não lhe compete.
Eu: Olha, você acabou de deixar escapar um Talento, e vocês que deveriam identificar, trazer e preservar estes Talentos estão realizando muito mal o serviço. Você lembra o Beltrano?!
Mariazinha: Um abusado...
Eu: Abusado?! Aqui não tem diálogo. Você não fez o teste até o fim e pode ter disperdiçado um grande talento. E com você eu não converso mais.
Bati a porta, com ódio em meus olhos(hehehehehe!!!). Liguei direto pro Diretor, porque quando a coisa fica ruim entre setores, eu recorro logo ao meu superior, que me resolve muita coisa.
Eu: Dr. Cicrano, preciso da ajuda do senhor...
Cicrano: Fala...
Eu: Acabei de perder um talento pro RH. O senhor se lembra daquele historia que eu havia lhe contado, que passei tempo desempregado e consegui um emprego graças a ajuda de...
Cicrano: Sim, homem. Eu lembro. Deixe de conversa fiada, você quer o homem, então vai ter. Agora lhe digo uma coisa, que esse talento aflore logo, porque caso contrário sua cabeça vai rolar. Eu não vou me desgastar com outra diretoria por pouca coisa não.
Eu: Ok. Muito obrigado, o nome dele é Beltrano de..
Cicrano: Sou eu que vou ligar chamando ele?! Passe o nome pro RH, ligue para ele e mande conversar comigo...
Daí ele desligou. Ele sempre é essa flor de pessoa. Um homem bom, mas embrutecido pelas circustâncias da vida. Ele é um homem de palavra e quando disse que minha cabeça iria rolar caso desse tudo errado, ele não blefava. Eu havia arriscado meu emprego por uma pessoa que, digamos, não valeria tamanho investimento. Mas a vida ensina, prezados. Eu tinha que ajudá-lo sim, custe o que custar, do mesmo jeito que um amigo me ajudou um dia. Alguém fez por mim, chegou a minha hora de fazer o mesmo.
Foi uma confusão. Até choro teve. Eu tive que assumir perante os diretores um compromisso de que eu estava fazendo a opção correta e assumia todos os riscos. Assumi todos, Beltrano entrou na empresa após conversa com a Diretoria. Em toda a minha vida, foi a 1a vez que arrisquei algo assim. Fui a luta com o Beltrano, pelo Talento dele e pelo meu emprego.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Concurso Publico x Mercado
Ola Pessoal!
Acabamos de perder um grande profissional de finanças na nossa empresa. Ele foi chamado para um concurso do TCE, eu acho, que ele fez a um tempo atrás. E se não fosse este concurso, ele sairia para CHESF, Anatel ou, este ultimo agora, da ANTAQ. É uma pena que o setor privado não esteja conseguindo reter alguns talentos.
Este cara é muito bom na área de finanças. Ele fazia a parte de planejamento tributário, além de ser um dos responsáveis direto pelo orçamento anual e controle do fluxo de caixa. Tem uns 5 anos de experiência na área, é novo, acho que não chega a ter 30 anos. Eu tive oportunidade de conviver de perto com a sua inquietação e entender os motivos para adotar o serviço público como casa profissional.
Primeiro: é dificil concorrer com os salários do serviço público. Este profissional não chega a ganhar 3mil reais juntando todos os benefícios( PO, PS, PPR...) e ganhará um pouco mais que o dobro, para trabalhar menos horas do que a nossa empresa costuma necessitar do funcionário.
Segundo: a estabilidade do serviço público chega a ser cruel com o que acontece no mercado. No caso dele, específicamente, havia sido demitido da empresa anterior por divergências profissionais com o diretor financeiro. Apesar do talento - e de ter razão na discussão - foi posto pra fora por mero capricho do diretor que, orgulhoso em seu posto, não conseguiu enxergar a perda profissional.
Terceiro: reconhecimento profissional. (Eu já falei disso em tópicos passados.) E, voltando ao caso, após a demissão dele, passou quase 3 meses sem emprego, indo para n entrevistas, sem sucesso. Eu que o conhecia indiquei para a nossa empresa em caráter de urgência, mesmo sem a necessidade no quadro de analistas, porque era um talento. Passou 2 anos e pouco, saindo agora. Por que?! Não reconhecimento da sua capacidade e a falta de perspectivas de crescimento - o cargo de Ger. Financeiro ficou vago, a 7 meses atrás, e a diretoria optou por trazer profissional de fora, em detrimento dele.
Antigamente, várias pessoas iam para o serviço público atraídos pelo, digamos, "dinheiro fácil": pouco trabalho, menos exigências, estabilidade....Hoje a moda toca outro ritmo. O "Boom" dos PCC´s( Plano de Cargos e Carreiras) em algumas funções demonstram um plano de carreira, que antes ficava a cargo da politicagem e babação de ovo. Esta nova perspectiva, tem atraído vários profissionais de mercado, que dividem suas atenções com os estudos para concursos e suas atividades profissionais.
O que me preocupa, e me faz trazer o assunto, é a perda de talentos pelo mercado. Dos meus 14 amigos íntimos e profissionais, todos estavam no mercado. Apenas eu e mais 7 continuamos na iniciativa privada. E dos 7, 4 estudam para concurso público e 1 espera nomeação. Todos talentosos e competentes nas suas áreas. Imaginem esta estatística expandida para todo país, guardada as devidas proporções?!
É um alerta para o mercado.
Acabamos de perder um grande profissional de finanças na nossa empresa. Ele foi chamado para um concurso do TCE, eu acho, que ele fez a um tempo atrás. E se não fosse este concurso, ele sairia para CHESF, Anatel ou, este ultimo agora, da ANTAQ. É uma pena que o setor privado não esteja conseguindo reter alguns talentos.
Este cara é muito bom na área de finanças. Ele fazia a parte de planejamento tributário, além de ser um dos responsáveis direto pelo orçamento anual e controle do fluxo de caixa. Tem uns 5 anos de experiência na área, é novo, acho que não chega a ter 30 anos. Eu tive oportunidade de conviver de perto com a sua inquietação e entender os motivos para adotar o serviço público como casa profissional.
Primeiro: é dificil concorrer com os salários do serviço público. Este profissional não chega a ganhar 3mil reais juntando todos os benefícios( PO, PS, PPR...) e ganhará um pouco mais que o dobro, para trabalhar menos horas do que a nossa empresa costuma necessitar do funcionário.
Segundo: a estabilidade do serviço público chega a ser cruel com o que acontece no mercado. No caso dele, específicamente, havia sido demitido da empresa anterior por divergências profissionais com o diretor financeiro. Apesar do talento - e de ter razão na discussão - foi posto pra fora por mero capricho do diretor que, orgulhoso em seu posto, não conseguiu enxergar a perda profissional.
Terceiro: reconhecimento profissional. (Eu já falei disso em tópicos passados.) E, voltando ao caso, após a demissão dele, passou quase 3 meses sem emprego, indo para n entrevistas, sem sucesso. Eu que o conhecia indiquei para a nossa empresa em caráter de urgência, mesmo sem a necessidade no quadro de analistas, porque era um talento. Passou 2 anos e pouco, saindo agora. Por que?! Não reconhecimento da sua capacidade e a falta de perspectivas de crescimento - o cargo de Ger. Financeiro ficou vago, a 7 meses atrás, e a diretoria optou por trazer profissional de fora, em detrimento dele.
Antigamente, várias pessoas iam para o serviço público atraídos pelo, digamos, "dinheiro fácil": pouco trabalho, menos exigências, estabilidade....Hoje a moda toca outro ritmo. O "Boom" dos PCC´s( Plano de Cargos e Carreiras) em algumas funções demonstram um plano de carreira, que antes ficava a cargo da politicagem e babação de ovo. Esta nova perspectiva, tem atraído vários profissionais de mercado, que dividem suas atenções com os estudos para concursos e suas atividades profissionais.
O que me preocupa, e me faz trazer o assunto, é a perda de talentos pelo mercado. Dos meus 14 amigos íntimos e profissionais, todos estavam no mercado. Apenas eu e mais 7 continuamos na iniciativa privada. E dos 7, 4 estudam para concurso público e 1 espera nomeação. Todos talentosos e competentes nas suas áreas. Imaginem esta estatística expandida para todo país, guardada as devidas proporções?!
É um alerta para o mercado.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Após período de férias...
Pessoal,
Tem certos amigos meus que não gostam de saírem de férias. Não que eles sejam tarados por trabalho, mas admitem o medo de uma puxada de tapete. E isto ocorre e muito nas empresas.
Na minha experiência conheci vários profissionais deste naipe. Geralmente eles atuam escondendo as coisas, somente eles sabem os pontos cruciais para resolução de problemas do setor. E isto é sintoma das próprias fragilidades do profissional, como insegurança, incompetência e covardia.
Covardia é a pior de todas. Nunca fique em uma empresa onde o seu chefe imediato é covarde. Você nunca progredirá.
As dicas que eu sempre dou aos amigos para poderem desfrutar de suas férias sossegados são estas:
1. Sempre esteja tocando um novo projeto. Se o seu setor estiver procurando novos rumos, melhores soluções e você estando a frente, a probabilidade de uma puxada de tapete é mínima.
2. Nunca esconda nada de seus colaboradores. Qualquer um tem que estar apto a tocar o setor, sem maiores problemas. Alguns acham que isso é um tiro no pé, mas não. Uma área que desenvolve corretamente seus serviços mesmo na ausência do chefe é muito bem visto pelos diretores. É aquela frase batida: time que está ganhando não se mexe.
3. Não permita fofoca. A fofoca é uma atividade nociva ao andamento de qualquer coisa. Os problemas do setor são resolvidos por dentro, sem intervenção de ninguém. Os fofoqueiros devem ser demitidos logo que identificados.
4. Divulgue constantemente suas vitórias. Você tem que se vender todo dia como um profissional diferenciado. Qualquer sucesso em um novo projeto, ou resolução de problemas rotineiros, tem que ser divulgado dentro do setor, citando você - lógico - e os colaboradores que lhe ajudaram, bem como externamente - em reuniões de gestores, por exemplo.
5. Promova sempre os melhores. Não tenha medo e nem seja covarde. Quando se cria um ambiente de meritocracia, todos confiam em você e lhe estimam cada vez mais, evitando as puxadas de tapete.
(A mais polêmica)
6. Sugira a saída daquele que teria potencial para estar em seu lugar(hehe). Calma! Isto só deverá ser usado caso você esteja chegando à empresa. Quando um gestor sai, sempre haverá um colaborador hierarquicamente abaixo que tem plenas condições de assumir o cargo aberto. Por n motivos, a empresa opta por trazer alguem de fora. Nestes casos, este colaborador estará desmotivado e propício a não ajudar. É melhor para ele e a empresa que ele procure outro emprego. Fale com ele e dê um prazo prele ir atrás de outro emprego. Caso ele teime em não sair, demita.
Tem outras dicas, claro. Mas estas me norteiam bastante e acho corretas.
O principal é não ter medo e covardia, porque estes dois em conjunto lhe farão um profissional não respeitado no meio.
Tem certos amigos meus que não gostam de saírem de férias. Não que eles sejam tarados por trabalho, mas admitem o medo de uma puxada de tapete. E isto ocorre e muito nas empresas.
Na minha experiência conheci vários profissionais deste naipe. Geralmente eles atuam escondendo as coisas, somente eles sabem os pontos cruciais para resolução de problemas do setor. E isto é sintoma das próprias fragilidades do profissional, como insegurança, incompetência e covardia.
Covardia é a pior de todas. Nunca fique em uma empresa onde o seu chefe imediato é covarde. Você nunca progredirá.
As dicas que eu sempre dou aos amigos para poderem desfrutar de suas férias sossegados são estas:
1. Sempre esteja tocando um novo projeto. Se o seu setor estiver procurando novos rumos, melhores soluções e você estando a frente, a probabilidade de uma puxada de tapete é mínima.
2. Nunca esconda nada de seus colaboradores. Qualquer um tem que estar apto a tocar o setor, sem maiores problemas. Alguns acham que isso é um tiro no pé, mas não. Uma área que desenvolve corretamente seus serviços mesmo na ausência do chefe é muito bem visto pelos diretores. É aquela frase batida: time que está ganhando não se mexe.
3. Não permita fofoca. A fofoca é uma atividade nociva ao andamento de qualquer coisa. Os problemas do setor são resolvidos por dentro, sem intervenção de ninguém. Os fofoqueiros devem ser demitidos logo que identificados.
4. Divulgue constantemente suas vitórias. Você tem que se vender todo dia como um profissional diferenciado. Qualquer sucesso em um novo projeto, ou resolução de problemas rotineiros, tem que ser divulgado dentro do setor, citando você - lógico - e os colaboradores que lhe ajudaram, bem como externamente - em reuniões de gestores, por exemplo.
5. Promova sempre os melhores. Não tenha medo e nem seja covarde. Quando se cria um ambiente de meritocracia, todos confiam em você e lhe estimam cada vez mais, evitando as puxadas de tapete.
(A mais polêmica)
6. Sugira a saída daquele que teria potencial para estar em seu lugar(hehe). Calma! Isto só deverá ser usado caso você esteja chegando à empresa. Quando um gestor sai, sempre haverá um colaborador hierarquicamente abaixo que tem plenas condições de assumir o cargo aberto. Por n motivos, a empresa opta por trazer alguem de fora. Nestes casos, este colaborador estará desmotivado e propício a não ajudar. É melhor para ele e a empresa que ele procure outro emprego. Fale com ele e dê um prazo prele ir atrás de outro emprego. Caso ele teime em não sair, demita.
Tem outras dicas, claro. Mas estas me norteiam bastante e acho corretas.
O principal é não ter medo e covardia, porque estes dois em conjunto lhe farão um profissional não respeitado no meio.
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