terça-feira, 28 de julho de 2009

REUNIÕES: EVITE SE QUEIMAR POR NADA...

Pessoal,

Há uma prática que persiste nos dias de hoje e que, apesar de nas Faculdades os professores nos orientarem a não fazer, nunca vai mudar: encobrir um erro próprio apontado um erro de outro. Isto realmente me enoja, porque eu tenho fudamentos morais que não me permitem a utilização deste tipo de expediente.

Reunião semana passada. Industrial, Logística, Comercial, Financeiro, RH e Diretoria. Aquela "caralhada de gente", como fala o meu diretor(HeheheHEHE!). Todos ali no intuito de passar a limpo os projetos de melhoria, informes do setor e ações corretivas. Então passei os indicadores que coordeno.

Um cidadão muito conhecido, contratado a peso de ouro para gerir o Industrial da nossa empresa, é do tipo de "apontador de erros" (e confesso: não sabia até esta reunião). Quando os indicadores foram apresentados, tratou de se sair das responsabilidades, emputando a outros setores e pessoas. Até então, como os indicadores da gestão dele oscilavam entre bons a ótimos, nunca tinhamos visto esta faceta dele. Respingou em mim e no Comercial muito de seus ataques. Talvez ele achasse que a nossa empresa utilizava dos mesmos métodos de convencimento que ele viu durante toda sua caminhada profissional. Eu(Logística) e Comercial ficamos estupefatos com todo aquele festival de erros maiores nossos mostrados por ele, na tentativa inócua de eximir-se da culpa mostrada pelos seus indicadores.

Porém ele não conhecia a personalidade do nosso Diretor. E vendo que ele insistia na tese de que Comercial e Logística eram responsáveis pelos problemas do Industrial - já que ele só falava da gente - o diretor começou um diálogo bastante "sutil e amigável".

Diretor: Então, deixe-me entender. O Industrial está subordinado a Logística e Comercial?!
Industrial: Não é bem isso que o senhor está entendendo. O que quero lhe dizer é que...
Diretor: Quer dizer que eu não estou entendendo nada?! Quer dizer, então, que o senhor acha que eu sou um babaca?
Industrial: ...
Diretor: Fulana, né não?! Eu só posso ser um babaca, um idiota. Porque eu comando esta empresa e não sabia que o Industrial era subordinado a Logística e Comercial.
Industrial: Mas o senhor está minimizando os fatos. O problema é....
Diretor: Minimizando os fatos?! Eu?! Você vem com essa conversa fiada e ridícula de encobrir seus erros apontados os de outros e acha que eu vou ficar calado?! Você está falando de Logística e Comercial, eu só posso achar que as suas ações advém dos interesses destes setores. Logo, você está subordinado a eles. E isto não existe aqui.
Industrial: ...
Diretor: Olhe, você é um grande profissional. Foi contratado e ninguem aqui se arrependeu disso. Agora que está por baixo, não venha com este discurso, porque aqui ninguem é minimo. Os problemas apontados aqui são seus. E leve pro resto da sua vida: aqui, nesta empresa, com este seu discursinho de merda você não vai a lugar nenhum!

(O Diretor tem problemas sérios de tratamento com as pessoas, por ser geralmente duro e grosseiro. Porém quem o conhece sabe que esta personalidade advém de experiências terríveis dentro da empresa: gestores que fraldavam indicadores, contadores ladrões, roubos, quebras e perdas... Enfim, esta visão de negócio que ele tem é espelhada numa carreira profissional de quase 20 anos, em meio a problemas desta natureza. Por outro lado, ele é capaz de gestos generosos também - como o que expus nos 2 posts anteriores.)

O cidadão do Industrial saiu de cabeça baixa, arrasado. Talvez este discurso dele seja recorrente em outros lugares, mas aqui na empresa não voga. Não se admite empurra-empurra de responsabilidades. Até porque este Diretor grosseiro viu que, com pessoas deste naipe, a empresa quase faliu um dia, pois não tinha um rumo certo para solução de problemas fundamentais e sim gestores guerreando entre si.

De qualquer forma a ação mais correta seria eu ir lá e falar com ele sobre o ocorrido. Mas não fui, pois não me interessa conviver harmonicamente com cidadãos desta natureza: pequenos e virulentos. Acho que todas as empresas deviam se desfazer com urgência deste tipo de profissional. Por mais que ele seja bom, precisa-se sempre de articulação entre setores e buscar soluções, não problemas. Com o péssimo desempenho na sala de reuniões - parece programa do Justus, hehehe! - ele poderá vir a deixar a empresa. Deus queira!

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