Pessoal,
Fui convidado há uns 3 anos atrás, para ministrar uma palestra de logística numa dessas faculdades particulares da vida. Era para ser 1h de palestra, mas virou 2hs, tamanho era o debate a cerca da conjutura política e econômica que o Brasil vive desde que o Barbudinho entrou.
Quando eu falo de logística, umas das coisas que eu mais bato é em cima da dinâmica teoria-prática neste quesito. Um gestor tem por obrigação, mensalmente, rever os conceitos do fluxo logístico no intuito de sempre reduzir custos, focando o menor tempo entre a entrada de insumos e a venda do produto. A evolução científica da logística anda a passos largos e todos precisam estar bastante atentos para não ficarem para trás.
Na platéia havia universiários sem experiências, profissionais da área, filhos de donos de empresa, além de professores. Vários concordavam comigo e outros não. Um deles provocou uma discussão saudável.
Eu: Deve ter mensalmente a entrada de novos projetos de melhoria, mesmo que a empresa esteja muito bem neste quesito.
Ouvinte: Mas Fulano, mensalmente?! Não seria exagero não. A minha empresa lá tem problemas como todas as outras tem, transportes, roteirização, mas mesmo assim é lucro por cima de lucro...
Eu: De fato, a conjutura econômica e política de hoje permite que as empresas não cuidem dos seus negócios como deveria. As margens brutas dos produtos estão cada vez mais altas, permitindo o disfarce das perdas operacionais, exemplo: retrabalho, perda, movimentação excessiva, superestoques, superprodução. E isto não gera riquezas para o país, é só pensar que esta calça que vestes, muito do que você pagou foi por parada na produção, retrabalho, perda de material. Uma calça que você compra a R$ 100,00, poderia custar R$ 80,00, mole mole...
Nisso o clima pegou fogo!!! Tinha na sala pessoas que eram donos de confecções. Estes se indignaram, pois atribuiam margem à qualidade que davam aos produtos, as facilidades de vendas e etc. Eu até concordo, mas muita destas confecções "bem de vida" do Ceará não viveram na época de 97 - 00 onde muita delas quebraram, devido a crise financeira no Brasil. Nesta época, não havia tanto consumo como hoje. Lembro-me que nesta época eu tinha 6 calças para usar por todo ano, aliás, ficavam algumas para o outro ano. Hoje, eu tenho 15 calças e muitas delas vão embora em Janeiro. O consumo baixo não mascarava os problemas produtivos da empresa como muita perda, superprodução e etc. Hoje as empresas melhoraram suas condutas logísticas?! Não! Acredito que algumas até pioraram...
Eu: Por isso que devemos sempre estar na crista da onda, pois a logística, daqui a 5 anos, será mundial: compra-se na África, faz-se no Brasil e vende-se para Europa. Isto para grandes empresas?! Não! Pra todo mundo, inclusive vocês das calças...
Todos: HAhehahahahehhaeHEAHA!
O debate foi muito bom, eu me lembro. Apesar de quase terem me dado uma surra, foi bom. O que muitos não entendem é que a estabilidade econômica, a política de crédito e, principalmente, a conduta fiscal que torna a União e a maioria dos Estados, de certa forma, superavitários, faz o Brasil crescer bem todo ano. Com isso o volume de vendas aumenta e as empresas cada vez mais não buscam maneiras melhores de conduzir seus negócios, visto que isso "esconde" as mazelas operacionais.
Este ano de 2009 ficou latente esta percepção. Muitas empresas do Sul, com a crise Americana, reduziram pessoal, diminuiram investimentos, ou seja, não acreditaram na estabilidade do Brasil - de acordo com a mídia. Mas o que aconteceu mesmo foi que as empresas estavam mal das pernas, bastando cair o consumo para o desespero vir a tona. Outras mais sólidas, reviram conceitos, mas não demitiram tanto quanto as demais e nem reduziram seus investimentos. Estas empresas perceberam que não haveria retração do consumo e sim a falta do crescimento costumeiro. E o resultado foi que, depois da crise, muitas empresas conseguiram uma fatia maior de mercado, ampliando seus negócios, pois outras do ramo diminuiram seu poder de atendimento à demanda. Nos momentos de crise é que devem ser procuradas as oportunidades e rever conceitos é um bom começo.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
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