Pessoal,
Tem um sujeito que trabalhou comigo no setor de suprimentos, cuja função era de assistente. São 5 anos de empresa, 1 graduação e uma pós em logística que está ainda por concluir. Ele pleiteava um cargo de chefia vago na empresa. E achava que sua qualificação e experiência eram fatores únicos para sua promoção.
A graduação e pós graduação é fetiche de RH, pois não querem dizer muita coisa em determinados cargos. O conhecimento só é efetivo quando aplicado para o bem, para o melhor andamento da empresa. A experiência somente é necessária quando ela se torna um diferencial, algo que dificilmente uma pessoa inexperiente conseguiria executar com mesma magnitude. Neste caso específico, a função que ele desempenhava era rotineira, onde qualquer um faria o mesmo.
Dito isto, vamos a fofoca! HeHEHE!
Sujeito: Dr. Fulano, eu acho que consigo substituir o Beltrano no setor. Como o senhor nos treinou, eu sei das responsabilidades dele, o que ele fazia e como tenho experiência e qualificação acredito que seria até melhor para empresa me colocar lá.
Eu: Claro! Evidente que você se torna uma opção atraente para a empresa. Sujeito, você quer esse cargo, ele será seu. Mas você vai ter que fazer, antes disso, um projeto de melhoria como o Beltrano fazia.
Sujeito: Mas Dr., pra que isso? Eu sei fazer as coisas, tenho experiência e qualificação, todo mundo aqui me conhece. O senhor acha que tem necessidade de me testar?!
Eu: Lógico. O que difere Beltrano de você, essencialmente, são os projetos. Eu tenho um aqui perfeito para você. Sabe aquele corredor de movimentação na área 3, você...
Sujeito: Não...
Eu: Não o que?! Você acha que iria subir simplesmente pela sua graduação e pós, que nem terminou, e experiência?! Você acha que isso é suficiente pra cuidar disto?! Você tá andando muito com RH e você me conhece e eu odeio o que você está fazendo agora! Tá me escutando?!
Sujeito: É que eu pensei...
Eu: O que você pensou foi errado! Vai querer fazer o teste ou não?! Me surpreende muito vir de você essa papo furado, sabe que todo mundo aqui é testado sempre que quer algo melhor.
Sujeito: Mas na Produção não é assim, no RH não é assim...
Eu: Cara, você é um idiota! Eu te dou a oportunidade que nunca ninguém aqui te deu e tu vem com esse papo safado pra cima de mim?! Olha, quer ou não quer fazer o teste?!
Sujeito: Quero sim....
Esse foi o papo, curto e sem rodeios. Eu inferi na hora a má vontade dele. Não por ele se sentir ofendido com o que fiz, mas porque ele realmente não tinha capacidade para fazer as coisas que diferenciavam ele de Beltrano. Este era o problema dele, queria subir por causa da experiência e qualificação, como é em todo lugar. Mas comigo é diferente. Até porque experiência e qualificação ajudam a meritocracia - a qual utilizo sempre - mas não são razões estantâneas para promoções.
Voltando...
O projeto que dei foi o mais simples e rápido possível, mas que precisava de uma dose alta de inteligência e conhecimentos teóricos, basicamente o que o sujeito viu em logística. A meta era ele me trazer a solução em 5 dias - se eu fizesse, demoraria uns 2 dias estourando. Trouxe em 8 dias. Ok, recebi o projeto e pedi uma apresentação.
A apresentação foi mediocre. Isto não é fator preponderante até porque se ele assumisse o cargo, trabalhando mais diretamente comigo, isso eu corrigiria.
A solução foi mediana. Não estava correto alguns dados que ele coletou. Mas mesmo assim, eu vi um esforço e já estava me decidindo em colocá-lo, pois as pessoas precisam de oportunidades e ele neste cargo talvez se empolgasse e fizesse a diferença.
Porém...
Quando eu fui falar o que tinha achado da apresentação e da solução, dizendo o que citei acima, ele falou uma merda grande.
Sujeito: Olha, se o senhor não quer me dar o cargo, diga logo. O senhor viu que eu me esforcei, tenho experiência e qualificação, a solução tá correta e o senhor fica botando empecilhos...
Eu: Como é que é, a solução tá correta?! Você tá me desafiando?! Perai...
Eu o chamei e descemos para o chão de fábrica com o projeto dele nas mãos. Fui batendo com ele ponto-a-ponto, dizendo os erros e a melhor solução. Foram 2 horas de conversas e explicações. Cada vez mais ele baixava a cabeça, concordando comigo. Ficou pálido, pois viu que tomou uma atitude precipitada. Senti que ele quis chorar no momento que eu disse...
Eu: Viu?! Você só pode ser maluco em me desafiar. Se estou aqui, como seu chefe, provavelmente eu deva ter mais conhecimentos. Eu não sou tocador de setor como estes seus amigos, não. Te dei a oportunidade, eu até iria te promover pois vi seu esforço, mas, porra, me desafiar sujeito?! Que merda hein...
Voltamos para o escritório. O clima estava bastante carregado, todos do escritório viram quando nós subimos: eu, com os olhos vermelhos de raiva e ele com os olhos cheios de lágrimas. Conversamos. Mostrei para ele que a experiência, o tempo de empresa e as qualificações ainda não provavam que ele era merecedor de tal promoção. Para assumir um cargo de chefia - isso não é a regra, mas eu utilizo disso - precisa do algo a mais, o talento, por exemplo. Faltou-lhe postura e saber se comunicar com o chefe também. Como trabalhavamos a 2 anos, ele já deveria saber como se reportar a mim. Mas ele se precipitou e achou que o cargo era dele e eu estava errado em não colocá-lo.
O fato é que nós enxergamos demais as aparências, tiramos conclusões sem embasamento estruturado. Ele tinha experiência e qualificação aparente. As pessoas achavam ele super competente porque conseguia dizer todos os códigos de insumo de determinado produto, os 3 principais fornecedores de cada insumo, os componentes do insumo, etc.. Isto não reflete a qualificação da pessoa, nunca, pois para um assistente isso é mais do que obrigação e se torna ainda mais obrigatório visto a experiência acumulada de anos. E as suas qualificações não serviam para incrementos na função, pois insistia em tornar seu serviço especialmente rotineiro, não agregando nada de seu conhecimento à melhorias.
Sabe o que aconteceu com ele?! Ele pediu para sair da empresa, saiu e eu arrumei outra briga com o RH. Ainda tive que escutar coisas do tipo: "Fulano é muito exigente, nem ESPECIALISTA segura com ele...". Como diz o povo daqui: "Ai dento!"
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
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