segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Economia - A importância da estabilidade econômica e seus poréns...
Fui convidado há uns 3 anos atrás, para ministrar uma palestra de logística numa dessas faculdades particulares da vida. Era para ser 1h de palestra, mas virou 2hs, tamanho era o debate a cerca da conjutura política e econômica que o Brasil vive desde que o Barbudinho entrou.
Quando eu falo de logística, umas das coisas que eu mais bato é em cima da dinâmica teoria-prática neste quesito. Um gestor tem por obrigação, mensalmente, rever os conceitos do fluxo logístico no intuito de sempre reduzir custos, focando o menor tempo entre a entrada de insumos e a venda do produto. A evolução científica da logística anda a passos largos e todos precisam estar bastante atentos para não ficarem para trás.
Na platéia havia universiários sem experiências, profissionais da área, filhos de donos de empresa, além de professores. Vários concordavam comigo e outros não. Um deles provocou uma discussão saudável.
Eu: Deve ter mensalmente a entrada de novos projetos de melhoria, mesmo que a empresa esteja muito bem neste quesito.
Ouvinte: Mas Fulano, mensalmente?! Não seria exagero não. A minha empresa lá tem problemas como todas as outras tem, transportes, roteirização, mas mesmo assim é lucro por cima de lucro...
Eu: De fato, a conjutura econômica e política de hoje permite que as empresas não cuidem dos seus negócios como deveria. As margens brutas dos produtos estão cada vez mais altas, permitindo o disfarce das perdas operacionais, exemplo: retrabalho, perda, movimentação excessiva, superestoques, superprodução. E isto não gera riquezas para o país, é só pensar que esta calça que vestes, muito do que você pagou foi por parada na produção, retrabalho, perda de material. Uma calça que você compra a R$ 100,00, poderia custar R$ 80,00, mole mole...
Nisso o clima pegou fogo!!! Tinha na sala pessoas que eram donos de confecções. Estes se indignaram, pois atribuiam margem à qualidade que davam aos produtos, as facilidades de vendas e etc. Eu até concordo, mas muita destas confecções "bem de vida" do Ceará não viveram na época de 97 - 00 onde muita delas quebraram, devido a crise financeira no Brasil. Nesta época, não havia tanto consumo como hoje. Lembro-me que nesta época eu tinha 6 calças para usar por todo ano, aliás, ficavam algumas para o outro ano. Hoje, eu tenho 15 calças e muitas delas vão embora em Janeiro. O consumo baixo não mascarava os problemas produtivos da empresa como muita perda, superprodução e etc. Hoje as empresas melhoraram suas condutas logísticas?! Não! Acredito que algumas até pioraram...
Eu: Por isso que devemos sempre estar na crista da onda, pois a logística, daqui a 5 anos, será mundial: compra-se na África, faz-se no Brasil e vende-se para Europa. Isto para grandes empresas?! Não! Pra todo mundo, inclusive vocês das calças...
Todos: HAhehahahahehhaeHEAHA!
O debate foi muito bom, eu me lembro. Apesar de quase terem me dado uma surra, foi bom. O que muitos não entendem é que a estabilidade econômica, a política de crédito e, principalmente, a conduta fiscal que torna a União e a maioria dos Estados, de certa forma, superavitários, faz o Brasil crescer bem todo ano. Com isso o volume de vendas aumenta e as empresas cada vez mais não buscam maneiras melhores de conduzir seus negócios, visto que isso "esconde" as mazelas operacionais.
Este ano de 2009 ficou latente esta percepção. Muitas empresas do Sul, com a crise Americana, reduziram pessoal, diminuiram investimentos, ou seja, não acreditaram na estabilidade do Brasil - de acordo com a mídia. Mas o que aconteceu mesmo foi que as empresas estavam mal das pernas, bastando cair o consumo para o desespero vir a tona. Outras mais sólidas, reviram conceitos, mas não demitiram tanto quanto as demais e nem reduziram seus investimentos. Estas empresas perceberam que não haveria retração do consumo e sim a falta do crescimento costumeiro. E o resultado foi que, depois da crise, muitas empresas conseguiram uma fatia maior de mercado, ampliando seus negócios, pois outras do ramo diminuiram seu poder de atendimento à demanda. Nos momentos de crise é que devem ser procuradas as oportunidades e rever conceitos é um bom começo.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Logística - Poucos sabem o que realmente significa...
Estive envolvido na contratação de um novo chefe aqui na logística da empresa. Quando os pré-selecionados vem para a entrevista comigo, eu costumo fazer a seguinte pergunta: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
Dito isto, vamos a fofoca! HeHEhEeHe!
RH me mandou 3 pessoas para a entrevista técnica. O primeiro era mais velho do que eu, formado em Eng. Civil, 10 anos trabalhando em transportadores e armazéns, vários ramos: calçadista, têxtil e máquinas pesadas. Segundo era mais novo do que eu, administrador com pós em Logística, 2 anos de experiência com expedição, faturamento e compras. Terceiro era da minha idade, tem ensino médio, terminando a facu(como dizem os jovens) em Administração, 8 anos de experiência com distribuição de materiais. Ok, todo mundo batia um pouco no perfil.
Entrou o 1°. Conversamos um pouco, sobre as experiências dele, falei do cargo e tra la la...Dai conversa:
Eu: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
Primeiro: É uma pergunta bastante abrangente, fulano, pois envolve...
Eu: Ei, poucas palavras...
Primeiro: Sim, para mim é armazenar e transportar os produtos da empresa até o cliente final, buscando garantir o nível de serviço adequado para empresa.
Ok. Excelente candidato e curriculum. Apesar de ser mais velho do que eu, me respeitou a todo momento. Isto é a maior prova de humildade e sentimento de hierarquia. Mas não me respondeu o que eu queria ouvir.
Entrou o 2°.
Eu: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
(Silêncio, estalo de dedos, olhos para o nada...)
Eu: E ai?
Segundo: A logística, fulano, se resume a duas coisas: armazenar e distribuir. O fato de armazenarmos é pelas incertezas do processo produtivo e às garantias de correto funcionamento da empresa, e distribuir porque é necessário alcançarmos os nossos clientes onde quer que seja.
Ok. Ótimo candidato e curriculum. Resposta dele muito boa, melhor até do que o Primeiro. Falou de processo produtivo, importante, mas que não é a mesma coisa de fluxo de materiais.
Entrou o 3º.
Eu: Em poucas palavras, o que é logística para você?!
Terceiro: Logística?
Eu: É...
Terceiro: É...
Eu: E ai?
Terceiro: Eu posso lhe contar pela minha experiência e pelo meu tempo de faculdade...
Eu: Poucas palavras, terceiro!
Terceiro: Fluxo e Informação.
Eu: Hein?!
Terceiro: Fluxo e Informação, você num disse?! Poucas palavras.
Eu: Explique-se...
Terceiro: Bem, o fluxo dos materiais, quer seja insumos ou produto acabado, e as informações extraídas desde a entrada do insumo até a venda do produto, isto é logística.
(Ai eu me empolguei...)
Eu: E logística reversa?!
Terceiro: Sei não, senhor...
(Felicidade de pobre dura pouco! Haehaehaehhaeaehaehae)
Os 3 candidatos passaram na minha avaliação, mas escolhi o 3°, pois falou o que eu queria ouvir. Pela conversa, vi que realmente ele tinha muito conhecimento teórico e prático. Talvez porque ainda esteja na faculdade, e as disciplinas ainda fervilham na sua mente.
A resposta nunca é dada completamente. Até porque a logística, apesar de ser um ramo extremamente pesquisado e com sólida base científica, muda, na prática, de empresa para empresa. Alguns enfatizam a armazenagem, a movimentação, transportes, mas a resposta mais correta, na minha opinião, seria a seguinte:
"A logística compreende todo o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo eficiente e eficaz de mercadorias, serviços e informações relacionados desde o local de origem até o local de consumo com a finalidade de satisfazer as necessidades dos clientes."(CLM, 1991)
Quem vai responder assim?! Poucos. Então eu nunca exijo uma resposta completa, porém para o cargo de chefia precisa que a pessoa fale duas coisas: fluxo de material e informação. A logística se resume a esta perspectiva, a busca insana de eficiência no fluxo de material e a coleta máxima de informações para suprir as decisões dos gestores.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Os valores da empresa - são efetivamente cumpridos?
Há uma hipocrisia organizacional que paira no ar e de dificil assimilação: os valores que a empresa prega e o que realmente acontece. Lá na intranet, aquele documento que consta Missão, Objetivos, Valores, tudo aparece bem explícito, mas na prática existem coisas absurdas. Suponha que na empresa a qual trabalha, prega-se valores como "Honestidade", "Inovação" e "Proatividade". Quer ver como, geralmente, isso não funciona?!
Honestidade
1. O sujeito faz apontamentos na linha de produção sobre peças defeituosas. Aponta uma quantia x, que trará um impacto negativo na eficiência produtiva. O Chefe de Produção ao invés de mandar para sucata, manda para uma área intermediária, onde a Qualidade fará uma nova inspeção afim de constar o erro. Dessa forma, estas peças não podem ser consideradas defeituosas, não participando na avaliação de índices de eficiência.
E ai, o cara foi honesto?!
Inovação
2. A empresa trabalha com um sistema em DOS, que dificulta a consulta de dados e relatórios. O Gerente de TI promove um estudo, onde aborda a necessidade de um ERP - exemplo, Logix - para a melhoria do fluxo de informações produtivas internas. O Diretor acha o sistema caro, nem procura emprestimos para financiar esta inovação, nem tira do bolso e dá o caso como encerrado. E ai, a empresa é comprometida com a inovação?!
Proatividade
3. O sujeito trabalha na logística como auxiliar de estocagem. Verifica que a movimentação dos insumos produtivos está errada, pois alguns destes, com maior rotatividade, estão lá no fundo do galpão, dificultando a movimentação - 7 perdas produtivas - de insumos. Relata isso por email para o chefe. Fala com o chefe. Depois de 2 meses, nada ainda foi feito. E ai, a empresa valoriza a proatividade dos funcionários?!
Estes exemplos simples apontam um problema: conflito entre os valores. Nós costumamos passar por cima disto diariamente, fechamos os olhos e seguimos em frente. Mas esta atitude provoca uma reação em cadeia em todos os colaboradores, culminando num clima organizacional negativo e instável. Uma das principais consequências disto é o ato das pessoas serem omissas com suas responsabilidades, escondendo seus erros e tratando os valores organizacionais como um mero documento safado do RH.
Na realidade este erro ocorre por ser tratado como uma mera formalidade, pois todas as empresas atualmente tem estes documentos e não fazem palestras e nem treinam as pessoas efetivamente. Não basta entrar na empresa, assistir aquele video de mil novecentos e me esqueci, onde a analista de RH relata os valores prezados pela instituição, e ir à Produção! Não! Estes valores tem que ser mostrados lá no operacional, nas atividades desempenhadas diariamente, nas decisões tomadas pelos Gestores. O comprometimento com os valores não é adquirido instantaneamente, é mais do que isso: uma questão de hábito.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Promoção - experiência e qualificação são suficientes?!
Tem um sujeito que trabalhou comigo no setor de suprimentos, cuja função era de assistente. São 5 anos de empresa, 1 graduação e uma pós em logística que está ainda por concluir. Ele pleiteava um cargo de chefia vago na empresa. E achava que sua qualificação e experiência eram fatores únicos para sua promoção.
A graduação e pós graduação é fetiche de RH, pois não querem dizer muita coisa em determinados cargos. O conhecimento só é efetivo quando aplicado para o bem, para o melhor andamento da empresa. A experiência somente é necessária quando ela se torna um diferencial, algo que dificilmente uma pessoa inexperiente conseguiria executar com mesma magnitude. Neste caso específico, a função que ele desempenhava era rotineira, onde qualquer um faria o mesmo.
Dito isto, vamos a fofoca! HeHEHE!
Sujeito: Dr. Fulano, eu acho que consigo substituir o Beltrano no setor. Como o senhor nos treinou, eu sei das responsabilidades dele, o que ele fazia e como tenho experiência e qualificação acredito que seria até melhor para empresa me colocar lá.
Eu: Claro! Evidente que você se torna uma opção atraente para a empresa. Sujeito, você quer esse cargo, ele será seu. Mas você vai ter que fazer, antes disso, um projeto de melhoria como o Beltrano fazia.
Sujeito: Mas Dr., pra que isso? Eu sei fazer as coisas, tenho experiência e qualificação, todo mundo aqui me conhece. O senhor acha que tem necessidade de me testar?!
Eu: Lógico. O que difere Beltrano de você, essencialmente, são os projetos. Eu tenho um aqui perfeito para você. Sabe aquele corredor de movimentação na área 3, você...
Sujeito: Não...
Eu: Não o que?! Você acha que iria subir simplesmente pela sua graduação e pós, que nem terminou, e experiência?! Você acha que isso é suficiente pra cuidar disto?! Você tá andando muito com RH e você me conhece e eu odeio o que você está fazendo agora! Tá me escutando?!
Sujeito: É que eu pensei...
Eu: O que você pensou foi errado! Vai querer fazer o teste ou não?! Me surpreende muito vir de você essa papo furado, sabe que todo mundo aqui é testado sempre que quer algo melhor.
Sujeito: Mas na Produção não é assim, no RH não é assim...
Eu: Cara, você é um idiota! Eu te dou a oportunidade que nunca ninguém aqui te deu e tu vem com esse papo safado pra cima de mim?! Olha, quer ou não quer fazer o teste?!
Sujeito: Quero sim....
Esse foi o papo, curto e sem rodeios. Eu inferi na hora a má vontade dele. Não por ele se sentir ofendido com o que fiz, mas porque ele realmente não tinha capacidade para fazer as coisas que diferenciavam ele de Beltrano. Este era o problema dele, queria subir por causa da experiência e qualificação, como é em todo lugar. Mas comigo é diferente. Até porque experiência e qualificação ajudam a meritocracia - a qual utilizo sempre - mas não são razões estantâneas para promoções.
Voltando...
O projeto que dei foi o mais simples e rápido possível, mas que precisava de uma dose alta de inteligência e conhecimentos teóricos, basicamente o que o sujeito viu em logística. A meta era ele me trazer a solução em 5 dias - se eu fizesse, demoraria uns 2 dias estourando. Trouxe em 8 dias. Ok, recebi o projeto e pedi uma apresentação.
A apresentação foi mediocre. Isto não é fator preponderante até porque se ele assumisse o cargo, trabalhando mais diretamente comigo, isso eu corrigiria.
A solução foi mediana. Não estava correto alguns dados que ele coletou. Mas mesmo assim, eu vi um esforço e já estava me decidindo em colocá-lo, pois as pessoas precisam de oportunidades e ele neste cargo talvez se empolgasse e fizesse a diferença.
Porém...
Quando eu fui falar o que tinha achado da apresentação e da solução, dizendo o que citei acima, ele falou uma merda grande.
Sujeito: Olha, se o senhor não quer me dar o cargo, diga logo. O senhor viu que eu me esforcei, tenho experiência e qualificação, a solução tá correta e o senhor fica botando empecilhos...
Eu: Como é que é, a solução tá correta?! Você tá me desafiando?! Perai...
Eu o chamei e descemos para o chão de fábrica com o projeto dele nas mãos. Fui batendo com ele ponto-a-ponto, dizendo os erros e a melhor solução. Foram 2 horas de conversas e explicações. Cada vez mais ele baixava a cabeça, concordando comigo. Ficou pálido, pois viu que tomou uma atitude precipitada. Senti que ele quis chorar no momento que eu disse...
Eu: Viu?! Você só pode ser maluco em me desafiar. Se estou aqui, como seu chefe, provavelmente eu deva ter mais conhecimentos. Eu não sou tocador de setor como estes seus amigos, não. Te dei a oportunidade, eu até iria te promover pois vi seu esforço, mas, porra, me desafiar sujeito?! Que merda hein...
Voltamos para o escritório. O clima estava bastante carregado, todos do escritório viram quando nós subimos: eu, com os olhos vermelhos de raiva e ele com os olhos cheios de lágrimas. Conversamos. Mostrei para ele que a experiência, o tempo de empresa e as qualificações ainda não provavam que ele era merecedor de tal promoção. Para assumir um cargo de chefia - isso não é a regra, mas eu utilizo disso - precisa do algo a mais, o talento, por exemplo. Faltou-lhe postura e saber se comunicar com o chefe também. Como trabalhavamos a 2 anos, ele já deveria saber como se reportar a mim. Mas ele se precipitou e achou que o cargo era dele e eu estava errado em não colocá-lo.
O fato é que nós enxergamos demais as aparências, tiramos conclusões sem embasamento estruturado. Ele tinha experiência e qualificação aparente. As pessoas achavam ele super competente porque conseguia dizer todos os códigos de insumo de determinado produto, os 3 principais fornecedores de cada insumo, os componentes do insumo, etc.. Isto não reflete a qualificação da pessoa, nunca, pois para um assistente isso é mais do que obrigação e se torna ainda mais obrigatório visto a experiência acumulada de anos. E as suas qualificações não serviam para incrementos na função, pois insistia em tornar seu serviço especialmente rotineiro, não agregando nada de seu conhecimento à melhorias.
Sabe o que aconteceu com ele?! Ele pediu para sair da empresa, saiu e eu arrumei outra briga com o RH. Ainda tive que escutar coisas do tipo: "Fulano é muito exigente, nem ESPECIALISTA segura com ele...". Como diz o povo daqui: "Ai dento!"
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Os Intérpretes - Quando o inglês pesa mais do que qualquer coisa...
Ultimamente todos os cargos executivos vem com a necessidade do Inglês fluente. Isto ocorre pela crescente globalização, onde tudo pode ser comprado/vendido em qualquer parte do mundo. Fato. Mas o que me intriga é a questão destes cargos essenciais serem impreterivelmente ocupados por pessoas com fluência no inglês em detrimento de outras habilidades.
Isto tem permitido, ao meu ver, uma nova carreira: os intérpretes. Heheheheheh! São pessoas com fluência no inglês, as vezes com espanhol, mas seriamente limitados no operacional da empresa e que ocupam cargos executivos e outros tipos principais. Servem simplesmente para fiscalizar o andamento do setor e falar com os acionistas principais, geralmente estrangeiros. Em certos casos, com fornecedores ou clientes internacionais. Nem conseguem tocar um setor.
Dito isto, vou contar um caso típico que já deve ter acontecido com alguns de vocês.
Estava eu no meu escritório, trabalhando e o celular toca:
Eu: Alô...
Pessoinha: Fulano de Tal?
Eu: Sim...
Pessoinha: Olha é que estamos com o seu curriculum em mãos e estaremos começando(AAAAAAAarrghhh!) um processo seletivo, para Gerente de Supply Chain da nossa empresa. O senhor teria interesse?!
Eu: Bom dia! Olha, primeiro gostaria de saber como meu curriculum parou aí.
Pessoinha: Foi uma indicação e tiramos o seu curriculum do Catho.
Eu: Ah tá. Quanto é o salário?
Pessoinha: No momento não temos esta informação, senhor. Vai depender da negociação. E gostariamos de saber como está o seu inglês? O senhor é fluente?
Eu: Não...
Pessoinha: Mas assim, o senhor não quer nem que eu faça uma entrevista simples agora por telefone, para saber como está o seu inglês?
Eu: Jovem, eu não tenho fluência em inglês. Se vocês querem um intérprete, eu tenho alguns bons amigos...
Pessoinha: Ok. Muito obrigado, senhor! Tenha um bom dia.
Eu estou muito bem no meu emprego. Trabalhei anos a fio e conquistei meu espaço. Não me submeto a este expediente. A senhorita lá ficou meio indignada, porque falei do intérprete. Ora, se o inglês fluente vem antes de qualquer análise curricular mais acurada?! É intérprete sim. Então, passou-se uns 2 meses, telefone toca novamente.
Eu: Fala autoridade!!
Autoridade: Fulano, vem me ajudar cara! Eu te indiquei pra vir pra cá e você não quis?! Mandaram um sujeito aqui sem conhecimento algum do setor, passa o dia respondendo emails, conversando com fornecedores estrangeiros e traduzindo mensagens da diretoria....
Eu: Ah, um intérprete?!
Autoridade: Hehehe! Isso mesmo...
Eu: Cara, até me ligaram. Mas a mulher desligou no momento que eu disse se ela procurava um intérprete.
Autoridade: Putz....
Eu: Paciência, jovem. Botou inglês fluente no processo seletivo, há um risco grande de o RH errar na escolha.
O fato é que esse cara não foi demitido até hoje, mas o setor está na mão dos seus chefes. E a empresa ainda passa pelos velhos problemas de supply chain(armazenagem, movimentação e transportes). Segundo o meu amigo, ele leva bronca quase toda semana e, mesmo assim, ainda é mantido porque ele já tem o contato muito bom com os fornecedores e os donos acostumaram a conversar com ele e ficaram, de certa forma, amigos.
Não tolero esta mudança que ocorre nas empresas. A fluência em inglês é fato e todos precisam se adaptar a esta nova regra, mas nunca isto ser o fator preponderante numa seleção. Isso é burrice, tiro no pé. Porque um cargo importante serve como centralizador e conversor das diversas áreas que compõem a gerência. Então esta pessoa precisa de muito conhecimento e experiência para fazer com o que o setor cresça sempre, melhore continuamente. Um intérprete nunca fará isso, até porque não tem habilidade tamanha.
Pra terem idéia da seriedade do assunto, um conhecido meu que trabalhou muito tempo em empresas ligadas a área de mineração, teve que fazer pós graduação fora. Foi gastar o dinheiro que juntou até o momento, para pagar uma pós e um curso de inglês no intuito de ter fluência na língua e obter a sua recolocação no mercado. Pra terem ideia, os interpretes que ficarão no lugar dele - sim, a função dele foi desmembrada em 2 - ligam e mandam email até hoje, para que ele os ajude em determinados procedimentos! E ele só voltará para o Brasil em 8 meses.
Qual é a lógica de negócio disso?! Eu realmente não sei.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Treinamento: O mercado não quer assumir suas responsabilidades...
Pessoal,
Muito se houve falar na imprensa sobre a qualificação profissional precária aqui no Ceará. As empresas relatam que falta "material humano", tendo que se instalarem no Sul, ou contratar pessoas de fora.
Isto pra mim é a maior mentira do mundo. O problema é que as empresas não querem treinar pessoas, novos quadros. Os empresários raramente querem ter algum trabalho na condução do negócio, optando sempre por pessoas com bastante experiência para tocar o seu negócio. E esta realidade contamina toda a empresa, onde o RH- mais uma vez - é o escroto mór.
O RH da minha empresa pede para que façamos treinamentos no setor - isto se deve à política de qualidade da empresa. Meus amigos tocadores, quer dizer, gestores de setor geralmente reunem o pessoal na sala, faz um bate papo e manda todo mundo assinar o documento dizendo que houve um treinamento. Isto é a coisa mais ridícula. E depois o RH, na sala de reuniões, aponta que houve 12 treinamentos ministrados no mês, como se fosse a realidade. Eu e meu diretor sempre batemos palmas quando RH fala isso, ironicamente.
O fato é que treinar gera custos, tanto com as horas gastas para treinar a pessoa, como o período de adaptação onde ocorrem perdas de eficiência por retrabalho. Aliado a isto, tem a volatilidade do mercado, onde uma pessoa bem treinada por uma determinada empresa possa ir para outra, do mesmo segmento. Estas variáveis conjuntamente são o risco da política de treinamento que os diretores não querem nem ver.
Eu faço treinamento com a turma todo mês, com ou sem documento de assinatura do RH. Eu tenho minha própria política de RH - heheheheh. Um funcionário meu tem que saber pelo menos uma função de outro do mesmo setor. Na semana de treinamento eu divido o pessoal em 3 ou 4 turmas, em horários e dias distintos, até para não comprometer o funcionamento da logística. Meus amigos tocadores de setor se impressionam pois o setor não pára, mesmo com funcionários
Nem todo mundo é igual a mim. Recebo muitas críticas neste ponto, por treinar demais as pessoas - na realidade, eles falam "conversar" demais, o que é um absurdo. Meu Diretor não foge à regra, e também não gosta desse meu estilo. Então, a gente nota que isso é cultural, o mercado é desse jeito, quer tudo pronto, na mão.
Pra finalizar, olha o que meu diretor fez. Ele estava atrasado nos treinamentos, segundo o RH. Entao fui eu- Logística - Industrial e Comercial para a "reciclagem". Com ele, 4 pessoas na sala.
Diretor: Pessoal, a imbecil do RH disse que eu sou o único que não realizou treinamento com vocês. Aquele que assina o papel, o pessoal treina assinatura.
Todos nós em coro: HahahahHAHAhaahha!
Diretor: Então aproveitando que ela ta me olhando, vamos ao treinamento...
Nisso ele balançou o papel do treinamento mostrando para Gestora de RH. Ela sorriu e acenou positivamente pra ele. Nisso ele vai na gaveta e puxa uma caixa...
Diretor: Pronto. O treinamento hoje vai ser como jogar 9 cartas, com Preta, Four e Bate.
Todos nós em coro: HAEhahehAEHAEHAEHAEHhaehaeHHAeheaHAEHaehaeHaeh!