segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Os Intérpretes - Quando o inglês pesa mais do que qualquer coisa...

Pessoal,

Ultimamente todos os cargos executivos vem com a necessidade do Inglês fluente. Isto ocorre pela crescente globalização, onde tudo pode ser comprado/vendido em qualquer parte do mundo. Fato. Mas o que me intriga é a questão destes cargos essenciais serem impreterivelmente ocupados por pessoas com fluência no inglês em detrimento de outras habilidades.

Isto tem permitido, ao meu ver, uma nova carreira: os intérpretes. Heheheheheh! São pessoas com fluência no inglês, as vezes com espanhol, mas seriamente limitados no operacional da empresa e que ocupam cargos executivos e outros tipos principais. Servem simplesmente para fiscalizar o andamento do setor e falar com os acionistas principais, geralmente estrangeiros. Em certos casos, com fornecedores ou clientes internacionais. Nem conseguem tocar um setor.

Dito isto, vou contar um caso típico que já deve ter acontecido com alguns de vocês.

Estava eu no meu escritório, trabalhando e o celular toca:

Eu: Alô...
Pessoinha: Fulano de Tal?
Eu: Sim...
Pessoinha: Olha é que estamos com o seu curriculum em mãos e estaremos começando(AAAAAAAarrghhh!) um processo seletivo, para Gerente de Supply Chain da nossa empresa. O senhor teria interesse?!
Eu: Bom dia! Olha, primeiro gostaria de saber como meu curriculum parou aí.
Pessoinha: Foi uma indicação e tiramos o seu curriculum do Catho.
Eu: Ah tá. Quanto é o salário?
Pessoinha: No momento não temos esta informação, senhor. Vai depender da negociação. E gostariamos de saber como está o seu inglês? O senhor é fluente?
Eu: Não...
Pessoinha: Mas assim, o senhor não quer nem que eu faça uma entrevista simples agora por telefone, para saber como está o seu inglês?
Eu: Jovem, eu não tenho fluência em inglês. Se vocês querem um intérprete, eu tenho alguns bons amigos...
Pessoinha: Ok. Muito obrigado, senhor! Tenha um bom dia.

Eu estou muito bem no meu emprego. Trabalhei anos a fio e conquistei meu espaço. Não me submeto a este expediente. A senhorita lá ficou meio indignada, porque falei do intérprete. Ora, se o inglês fluente vem antes de qualquer análise curricular mais acurada?! É intérprete sim. Então, passou-se uns 2 meses, telefone toca novamente.

Eu: Fala autoridade!!
Autoridade: Fulano, vem me ajudar cara! Eu te indiquei pra vir pra cá e você não quis?! Mandaram um sujeito aqui sem conhecimento algum do setor, passa o dia respondendo emails, conversando com fornecedores estrangeiros e traduzindo mensagens da diretoria....
Eu: Ah, um intérprete?!
Autoridade: Hehehe! Isso mesmo...
Eu: Cara, até me ligaram. Mas a mulher desligou no momento que eu disse se ela procurava um intérprete.
Autoridade: Putz....
Eu: Paciência, jovem. Botou inglês fluente no processo seletivo, há um risco grande de o RH errar na escolha.

O fato é que esse cara não foi demitido até hoje, mas o setor está na mão dos seus chefes. E a empresa ainda passa pelos velhos problemas de supply chain(armazenagem, movimentação e transportes). Segundo o meu amigo, ele leva bronca quase toda semana e, mesmo assim, ainda é mantido porque ele já tem o contato muito bom com os fornecedores e os donos acostumaram a conversar com ele e ficaram, de certa forma, amigos.

Não tolero esta mudança que ocorre nas empresas. A fluência em inglês é fato e todos precisam se adaptar a esta nova regra, mas nunca isto ser o fator preponderante numa seleção. Isso é burrice, tiro no pé. Porque um cargo importante serve como centralizador e conversor das diversas áreas que compõem a gerência. Então esta pessoa precisa de muito conhecimento e experiência para fazer com o que o setor cresça sempre, melhore continuamente. Um intérprete nunca fará isso, até porque não tem habilidade tamanha.

Pra terem idéia da seriedade do assunto, um conhecido meu que trabalhou muito tempo em empresas ligadas a área de mineração, teve que fazer pós graduação fora. Foi gastar o dinheiro que juntou até o momento, para pagar uma pós e um curso de inglês no intuito de ter fluência na língua e obter a sua recolocação no mercado. Pra terem ideia, os interpretes que ficarão no lugar dele - sim, a função dele foi desmembrada em 2 - ligam e mandam email até hoje, para que ele os ajude em determinados procedimentos! E ele só voltará para o Brasil em 8 meses.

Qual é a lógica de negócio disso?! Eu realmente não sei.

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