Pessoal,
No mês de junho escrevi aqui no blog (http://gestaoeacao.blogspot.com/2009/06/rh-e-o-desemprego.html) sobre o tempo que passei desempregado e como consegui entrar no mercado, graças a sorte e ajuda de um grande amigo. Pois bem, esta semana chegou a minha vez de fazer o mesmo gesto, com outra pessoa, mas amigo também.
Surgiu uma vaga para Supervisor de Transportes(este cara é responsável pela distribuição de produtos) na empresa. Eu indiquei um líder de turno para ocupar o posto - seguindo meus princípios de meritocracia - mas infelizmente o colaborador pisou feio na bola e teve que ser desligado da empresa.
Fui direto para minha agenda procurar pessoas com o perfil para assumir e pedir que participassem do processo seletivo. Todos que vi estavam bem em seus empregos e não quiseram se arriscar. O RH me passou também que estava dificil juntar uma turma para fazer o processo seletivo.
Numa dessas coincidências do destino - SORTE - encontrei um velho conhecido na fila do cinema, falei sobre a minha busca. Papo vai, papo vem...
Eu: Pois é, tá fogo....
Conhecido: Maxu, Beltrano tá desempregado faz tempo...
Eu: Mentira!!! Mas a área dele é logística interna, expedição.... Cara, ele é talentoso, já trabalhei com ele.
Conhecido: Toma o cel dele, liga pra ele...
Eu: Vou ligar agora...
Liguei. Conversamos. Expliquei que ele deveria mandar o curriculum, aguardar a seleção. Dei "Boa Sorte" e disse que faria de tudo pra ele trabalhar comigo, pelo seu Talento e porque já tinha passado por situação semelhante.
Como expliquei em posts passados: com pessoas talentosas não tem conversa, contrata e pronto.
(A partir de agora os relatos foram testemunhados pelo Beltrano e me passado, juntei com a versão RH, Diretoria e a minha)
Conseguiu-se juntar 4 pessoas para o processo seletivo. Segundo Beltrano, eles tomaram um chá de cadeira de 1h e, quando a Analista foi ao encontro deles para a seleção, tinha levado os livrinhos do Quati, o Teste do Detran (aquele com a setinha preta, branca, para você marcar) e papel em branco. Começaram a entrevista.
Cada um deles falou das experiências. Beltrano disse que a experiência dele é mais com logística interna, expedição e que seu contato com distribuição física era pequeno, mas que de qualquer forma estava apto para o serviço. Os outros falaram coisas semelhantes. Porém veio a tona o tempo de desemprego. Incluindo Beltrano, outro também estava a bastante tempo desempregado. E falaram a coisa pior do mundo, que iam para entrevistas mas as vagas propostas eram aquem das expectativas deles, ou seja, muita responsabilidade e pouco salário.
Meu amigo, fale isso pro seu chefe setorial, menos para o RH. Se vocês não sabem, a lista de responsabilidades, caracteristicas, escolaridade e salários de um funcionário é feito pelo RH, ou pelo menos capitaneado. Isso que eles falaram foi o mesmo que dá uma mãozada nos peito da Analista, e de toda a classe de colaboradoras de RH. HEheHEheheh! Daí um fato curioso: ele me disse que após esta conversa a analista falou algo irônico, como se tivesse vaga demais para candidato de menos e então só passou para eles o Teste do Detran, nem rolou Quati e muito menos papel em branco(que presumo, seria para a Redação). Disse que entraria em contato com eles, e que ligaria para dizer o resultado. No dia seguinte ligaram para os candidatos e ninguém passou. O cara me ligou quase chorando, fiquei com dó.
Daí eu caí em campo. Pelo indício de injustiça - havia uma probabilidade muito grande dela ter desistido do teste, depois da entrevista. Isso acontece, quando os candidatos realmente não são bons. Mas eu não ia engolir isso assim, a seco. Fui ter com o RH. Lá na firma a turma do setor de RH me odeia, porque sou chato(hehehe).
Após recebimento do email comunicando que o processo não tinha vogado( é o noooovo!), fui lá no RH. A nova gestora me falou que os candidatos haviam "desdenhado" da oportunidade e que não seguiu em frente. Ora, as duas versões são conflitantes. Beltrano falou uma grande verdade - responsabilidade demais, salário de menos - não se referindo a proposta da nossa empresa, mas sim a outras entrevistas. Ele não sabia nem o salário que iria ganhar. Como ele poderia estar desdenhando?!
Eu: Mariazinha, não aceito este seu argumento não...
Mariazinha: Por que? Essas pessoas nos trariam problemas mais tarde.
Eu: Mariazinha, EU - Fulano de Tal - não aceito em hipótese alguma estes seus argumentos...
Mariazinha: Essa é a posição do RH, você está se metendo em algo que não lhe compete.
Eu: Olha, você acabou de deixar escapar um Talento, e vocês que deveriam identificar, trazer e preservar estes Talentos estão realizando muito mal o serviço. Você lembra o Beltrano?!
Mariazinha: Um abusado...
Eu: Abusado?! Aqui não tem diálogo. Você não fez o teste até o fim e pode ter disperdiçado um grande talento. E com você eu não converso mais.
Bati a porta, com ódio em meus olhos(hehehehehe!!!). Liguei direto pro Diretor, porque quando a coisa fica ruim entre setores, eu recorro logo ao meu superior, que me resolve muita coisa.
Eu: Dr. Cicrano, preciso da ajuda do senhor...
Cicrano: Fala...
Eu: Acabei de perder um talento pro RH. O senhor se lembra daquele historia que eu havia lhe contado, que passei tempo desempregado e consegui um emprego graças a ajuda de...
Cicrano: Sim, homem. Eu lembro. Deixe de conversa fiada, você quer o homem, então vai ter. Agora lhe digo uma coisa, que esse talento aflore logo, porque caso contrário sua cabeça vai rolar. Eu não vou me desgastar com outra diretoria por pouca coisa não.
Eu: Ok. Muito obrigado, o nome dele é Beltrano de..
Cicrano: Sou eu que vou ligar chamando ele?! Passe o nome pro RH, ligue para ele e mande conversar comigo...
Daí ele desligou. Ele sempre é essa flor de pessoa. Um homem bom, mas embrutecido pelas circustâncias da vida. Ele é um homem de palavra e quando disse que minha cabeça iria rolar caso desse tudo errado, ele não blefava. Eu havia arriscado meu emprego por uma pessoa que, digamos, não valeria tamanho investimento. Mas a vida ensina, prezados. Eu tinha que ajudá-lo sim, custe o que custar, do mesmo jeito que um amigo me ajudou um dia. Alguém fez por mim, chegou a minha hora de fazer o mesmo.
Foi uma confusão. Até choro teve. Eu tive que assumir perante os diretores um compromisso de que eu estava fazendo a opção correta e assumia todos os riscos. Assumi todos, Beltrano entrou na empresa após conversa com a Diretoria. Em toda a minha vida, foi a 1a vez que arrisquei algo assim. Fui a luta com o Beltrano, pelo Talento dele e pelo meu emprego.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
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