quarta-feira, 10 de junho de 2009

CONSULTORIA - Oficina Mecânica


Eu não gosto muito de carros. Uso mesmo só porque tenho que dirigir, mas por mim compro qualquer carro. Minha esposa é que escolhe o meu carro quando vou trocar, para terem ideia. Daí que comprei um carro, há muito tempo atrás e eu - liso, como até hoje sou - peguei um carro antigo, na época era como se ele tivesse uns 5 anos de uso. Na inexperiência e pressa comprei no mesmo dia, num destes feirões que existem. O carro deu uma série de problemas e elegi uma oficina para cuidar do carro.
Fui tantas vezes na oficina, não só com esse carro mas com outros, que fiquei amigo do dono. O cara é jovem, empreendedor e conhece carros como ninguém: do tipo que sabe a solução do problema em poucos minutos. Mas passava os anos e aquele mesmo número de clientes, a oficina não crescia e ele passava sempre por problemas financeiros. E quanto mais se estreitava a amizade, mais ele conhecia meu lado profissional.
Certo dia ele me liga, pedindo um auxílio na oficina dele no tocante aos seus problemas. Falei que poderia fazer uma consultoria profissional, até porque, desta forma, ele poderia me cobrar resultados. Ele topou. E caí em campo.
Primeira coisa foi saber por que uma oficina, com um dono que entendia do negócio, bem localizada, com bons mecânicos, equipamentos e capacidade para atender uma boa demanda, não conseguia bons retornos. Uma pesquisa dessa você não faz de um dia pro outro. Tive que olhar um mês completo o comportamento da demanda, os tipos de serviço, calcular a média de ociosidade da capacidade instalada e o fluxo de caixa da empresa.
O maior problema - que depois vi ser uma constante no setor - era que bons mecânicos resolvem tudo, demoram mas resolvem, e a especialização em determinados segmentos - motores, suspensão, elétrica e laternagem, por exemplo - não são vista com bons olhos pelos donos, pois acham que podem perder fregueses devido a esta tática. E isto implicava em vários clientes infelizes com o tempo de entrega não cumprido.
Outra coisa observada é que o maior marketing deles é o boca a boca,o marketing mais interessante na área de serviços, porém não havia uma ligação mais próxima com os clientes, nenhum investimento fixo em marketing, como, por exemplo, pangletagem.
Por fim, a capacidade realmente não era utilizada em sua plenitude pois se fazia n coisas, não se montava parcerias com concessionárias, grandes clientes, enfim, algo que gerasse uma expectativa de demanda que equilibrasse a capacidade instalada.
O fluxo de caixa tinha problemas graves com relacao ao investimento que ele fazia ano após ano em maquinário e o retorno após RECEITAS - CUSTOS - DESPESAS
Foi o diagnóstico, basicamente.
Conversei com ele expus os dados da consultoria. Ele ficou meio retiscente com o que ali constava, não queria acreditar que somente com aqueles dados poderíamos resolver muita coisa. Mas pra mim estava muito óbvio que o sucesso era inevitável, pois os dados levantados apontavam uma solução.

Qual solução?

Seria muito bom se todas as soluções fossem que nem aqueles problemas matemáticos de Calculo I, Fisica I, ou seja, resposta ser sempre um número, somente aquele número. Mas neste caso era um conjunto de fatores. Primeiro passo foi definir qual demanda atender. No levantamento de dados amostrais que fiz, percebi que a demanda de 70% dos serviços dele correspondia a: "mecânica de movimento"(defini isso na época) que era motor e câmbio, basicamente, e "mecânica de segurança", que era suspensão e frenagem , onde a variação do tempo de atendimento era de 1 hora a 2 dias de serviço. Então foi decidido que, a partir da panfletagem, a empresa ia divulgar e trabalhar com estes tipos de serviços, descartando, por exemplo, lanternagem.
Como havia essa variação alta do tempo de atendimento, as vezes um mecânico resolvia problemas complexos e simples e quando havia um carro com período longo para entrega, por vezes o próprio dono retirava este mecânico do serviço e colocava neste outro mais simples. Então, pedi pra ele diminuir os custos de MOD, atraves da agilidade no atendimento.
Como assim?
Ele tinha 5 mecânicos e esta variação alta de tempo de atendimento, mais a necessidade de cumprir prazos de entrega, faria com que tivesse mais mecânicos. Ora, daí ele ia ter mais custo, não compensaria. Então eu sugeri, e ele acatou, demitir 3 mecânicos e contratar 5 auxiliares de mecânica com certa experiência, onde os mecânicos indicariam para os auxiliares a solução e não necessariamente meteriam a mão na massa em serviços mais simples. Isto foi um processo gradual, em torno de 4 meses.
Com estas atitudes e mudanças de layout, ficamos a observar. Realmente no 1º mês nada de novo aconteceu, mas à medida que passava o tempo, viamos a capacidade instalada sendo cada vez mais utilizada pela demanda e, por conseguinte, o fluxo de caixa melhorava.
Sei que depois daquela consultoria, no 1 ano após as mudanças, as receitas cresceram 45% na média anual. E depois, de 5 anos, hoje ele tem 3 oficinas - 2 em sociedade com outros - e em todas tem loja de peças. O cara que andava num gol, hoje tem um TUCSON.
E hj eu continuo liso....

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